Depois de 90 dias, FFLCH decide retomar as aulas

O órgão máximo da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) decidiu nesta quinta-feira que as aulas serão retomadas a partir de segunda-feira, ignorando a determinação da assembléia dos alunos de continuar a greve. A intenção é de reiniciar o primeiro semestre no dia 12 e terminá-lo no fim de setembro. O segundo semestre deve ir de outubro a 1.º de fevereiro, com aulas inclusive aos sábados e interrupção apenas no Natal e no ano-novo. Em documento, o diretor Sedi Hirano informa que a congregação da FFLCH - que reúne professores, funcionários e um representante discente de cada curso - resolveu que as aulas recomeçarão "através do diálogo". Procurado pela reportagem do Estado, Hirano não retornou a ligação até 20 horas. Desde o início da paralisação, em 2 de maio, a direção e os professores apoiavam o movimento e chegaram a negociar em conjunto com os alunos na reitoria da USP. Mas a última proposta, que prevê a contratação de 92 professores para a unidade, agradou a congregação. A retirada total do apoio parecia inevitável. Esse fato contribuiu para que lideranças do movimento estudantil defendessem em assembléia, anteontem, o fim da greve. A votação foi equilibrada, mas acabou vencendo a proposta de continuidade da paralisação. Alunos que se posicionaram contra a greve saíram indignados da assembléia, principalmente pelo tempo de discussão (mais de três horas) que antecedeu a votação. Ontem, eles comemoraram a decisão da congregação da FFLCH. "Sempre achei que a greve acabaria quando os professores voltassem para as salas de aula. Agora, raríssimas pessoas irão abrir mão de estudar para respeitar a decisão da assembléia", diz Luiz Henrique Simões, aluno do curso de Ciências Sociais. Ele teme, porém, que estudantes favoráveis à paralisação façam piquetes nas portas das classes para impedir as aulas na segunda-feira. "Na primeira semana podem vir 150 alunos, na segunda semana, 300, mas depois todo mundo acaba voltando à faculdade." Já a representante dos alunos do curso de Ciências Sociais na congregação, Fernanda Fazoli, diz que vai acatar a determinação da assembléia e não entrará na sala de aula, mesmo tendo votado contra a continuidade da greve. "Essa decisão foi tomada já esperando que os professores tirassem seu apoio." Ela não acredita que a retomada das aulas enfraqueça o movimento. Professores - "A decisão da congregação é prejudicial porque uma parte dos estudantes acha que só pode fazer alguma coisa com o consentimento dos professores", diz o aluno de Letras Waldir Rodrigues. Para ele, na próxima semana, a situação deve ser diferente nos cinco cursos da FFLCH. "Em Letras, não adianta voltar às aulas porque continuará faltando professor e as salas estarão lotadas." A greve começou justamente nesse curso, que teve disciplinas canceladas por falta de docentes. Os alunos reivindicam 259 contratações e uma política que garanta a substituição dos que se aposentam ou morrem. A determinação da USP é a de que não haja nova contratação automática. A unidade precisa provar a sua necessidade.

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