Depois de 104 dias, termina greve na FFLCH

Após quase cinco horas de discussão, os alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) decidiram, em assembléia no final da noite de ontem, voltar às aulas. Eles começaram a votação por volta das 19 horas e terminaram à meia-noite, em uma assembléia bastante tumultuada. Pouco mais de 630 alunos votaram pelo término da greve contra 550 a favor. A FFLCH tem 12 mil alunos. A greve durou 104 dias.No começo da assembléia, os estudantes tentaram votar pedindo para que cada aluno levantasse a mão de acordo com a proposta: continuidade, abstenção e fim do movimento. Como não conseguiam contar os alunos nesse sistema, dividiram as pessoas por filas e os alunos marcavam letras na mão para dizer qual era sua posição em relação a greve. Os votos eram assinalados em uma lista, para contagem posterior. A greve já estava comprometida, pois os professores que apoiavam os alunos decidiram reiniciar as aulas. Numa reunião da congregação da faculdade, no último dia 8, os professores concordaram com a última oferta da reitoria da USP, que propôs contratar 92 professores. Os professores já haviam dito que retomariam as aulas na última segunda-feira, o que não aconteceu. Houve reuniões entre alunos e professores para discutir os rumos da greve e uma nova assembléia foi marcada para a noite de ontem.Os alunos pediam a contratação de 259 professores. Durante as negociações, houve impasse e a reitoria se negou a conversar novamente com os grevistas. Os estudantes foram até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Eles pediram para que o governador Geraldo Alckmin intercedesse junto a reitoria para que as negociações fosse retomadas. A reitoria propôs, então, a contratação dos 92 docentes.Por conta da greve, as aulas deverão se estender até 1º de fevereiro de 2003. Estão previstas aulas aos sábados e uma pausa apenas entre as festas de Natal e ano novo, uma vez que os dois semestres ficaram comprometidos com a paralisação. A FFLCH foi a primeira faculdade criada na USP. Conhecida por sua tradição e luta durante o regime militar, abriga os cursos de Filosofia, Letras, História, Geografia e Ciências Sociais. O presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, formou-se sociólogo pela FFLCH.

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