Depois da Marinha e FAB, Exército espera pacote de R$ 20 bi

Força cobra investimento após promessa do governo de reequipar outras armas; previsão de gastos é de 10 anos

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

11 de setembro de 2009 | 20h35

Depois de a Marinha receber a promessa de novos submarinos e a FAB de caças supersônicos, o Exército entrou na fila do reaparelhamento com um plano de gastos de R$ 20 bilhões em dez anos. A Força, segundo militares, enfrenta problemas de falta de munição e até diminuiu o expediente como forma de economizar recursos.

 

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O pacote de reaparelhamento, que prevê gastos de pelo menos R$ 2 bilhões por ano, será encomendado a empresas brasileiras. Mas, para vingar, o plano não poderá ser atingido pela tesoura do Ministério do Planejamento, responsável pelo contingenciamento do Orçamento da União.

 

A modernização do Exército passa pela troca dos 150 mil fuzis FAL, que estão com mais de 40 anos de uso, uma nova família de 400 blindados, a modernização dos cerca de 1500 carros de combate, a compra de radares de baixo e de longo alcance, a construção de 28 novos pelotões de fronteira, dentro do projeto Amazônia Protegida, e a aquisição do sistema integrado de vigilância e monitoramento de fronteiras. Este último está incluído no acordo militar com a França e custará cerca de US$ 2,7 bilhões.

 

A situação orçamentária do Exército é considerada "grave" pelos militares. Do orçamento aprovado para este ano, de R$ 2,4 bilhões, R$ 580 milhões estão contingenciados, trazendo complicações para as operações rotineiras.

 

A tropa que substituirá os 1300 militares que estão no Haiti, em fevereiro próximo, poderá não estar suficientemente adestrada. De acordo com o Exército, são necessários R$ 90 milhões para treinar esse contingente, mas, deste total, só R$ 58 milhões chegou à Força até agora.

 

Uma das consequências disso é que os militares que embarcarão para o país caribenho, como integrantes da Força de Paz da ONU, deveriam ter disparado, em exercícios militares, pelo menos 200 tiros reais, mas só conseguiram dar, até agora, 50 tiros. Motivo: falta munição.

 

Diante do constante aperto que a Força vem sendo submetida nos últimos anos, os estoques estratégicos foram sendo usados para treinamento e praticamente se esgotaram, o que é considerado "uma temeridade" até pelos próprios militares. O Exército está com problemas também no seu estoque de munição pesada.

 

Para segurar as despesas, a Força já suspendeu o expediente nas manhãs de segunda e tardes de sexta-feira e novas medidas poderão ainda ser anunciadas.

 

Conheça as principais reivindicações do Exército

 

TIRO CERTO: Troca dos 150 mil fuzis FAL que estão com mais de 40 anos, por outros, mais modernos, fabricados no Brasil. O novo fuzil teria, por exemplo, luneta e equipamento de visão noturna.

 

BLINDAGEM: Nova família de 400 blindados, que estão sendo projetados e desenvolvidos aqui no Brasil e os primeiros protótipos serão entregues este ano pela Fiat-evenco

 

 

REFORMA: Modernização dos cerca de 1500 carros de combate Urutu, Cascavel e M-103 existentes

 

VIGILÂNCIA: Aquisição de radares M-60 e M-300, também desenvolvidos pelo Brasil, para atender a todos os grupos de artilharia e de fronteira. Seriam cerca de 300 radares terrestres de baixo alcance (60 quilômetros), que até a Petrobrás e Itaipu estão interessados em adquirir para proteger suas instalações, e cerca de 150 M-300 de 300 quilômetros de alcance.

 

REFORÇO NA FRONTEIRA: Instalação de 28 novos pelotões de fronteira para se juntar aos 21 existentes, dentro do projeto Amazônia protegida. São pelotões plenamente equipados para dar o alerta da ameaça externa e com capacidade para reagir ao ataque.

 

NOVO SIVAM: Aquisição de um sistema integrado de monitoramento de fronteiras, espécie de Sivam, para proteger fronteiras terrestre e marítima. Este pacote de equipamentos está no pacote com a França ao custo de US$ 2,7 bilhões.

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