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Depois da Copa

No momento em que a mais recente pesquisa eleitoral registra uma espécie de hiato futebolístico, com os índices relativamente estabilizados, uma outra aferição mantém a economia como alto risco eleitoral para o governo.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2014 | 02h05

Enquanto a presidente Dilma permanece em patamar de aprovação que confirma a realização de um segundo turno, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostra que o consumidor estima uma inflação de 7,5%, acima do teto da meta, maior que a previsão do próprio mercado, que é de 6%.

O dado inflacionário puxa outras percepções que constam das consultas feitas pelos partidos políticos para consumo interno, igualmente negativas para o governo e indicativas do grau de dificuldade da campanha da candidata oficial em criar expectativas que revertam sua estagnação nas pesquisas.

Inserem-se nesse quadro a falta de expectativa de aumento de renda, conjugada ao fim do poder de consumo, a baixa remuneração de empregos, a insatisfação com as políticas públicas nas áreas essenciais de saúde, infraestrutura e segurança, além da sensação de aumento da corrupção.

Os índices de intenção de voto registrados pela presidente Dilma são desfavoráveis no sudeste, que concentra 40% do eleitorado nacional, no qual ela empata com o candidato Aécio Neves, do PSDB, ambos na casa dos 28%. A soma nas outras regiões não autoriza uma votação compensatória.

Na conta global, a pesquisa sugere que a presidente não cai mais por ter atingido seu piso de queda, apesar da superexposição a que foi submetida.

É nesse ponto que reside o otimismo da oposição. Os levantamentos feitos até aqui ainda ocorrem com os candidatos Aécio Neves e Eduardo Campos desconhecidos por parcela expressiva da população, o que certamente será reduzido com a exposição no horário eleitoral gratuito na televisão.

Se é verdade que a oposição ainda não se mostrou competente para capitalizar politicamente o revés do governo, na proporção que ele permite, é igualmente real que o repertório oficial esgotou sua capacidade de produzir novidades.

Nada mais demonstrativo dessa constatação do que o relançamento de programas como o PAC, em versões renumeradas, antes mesmo que as primeiras se tenham completado.

Além disso, com a disputa política orientada pela meta de ampliação de bancadas federais dos partidos, a dissidência na base aliada do governo foi maior do que era permitido estimar com base na disputa por espaço na estrutura de governo, protagonizada por PT e PMDB.

A fragmentação da militância desfavorece o governo nas campanhas estaduais e eleva seu risco eleitoral.

Nada indica que o êxito na organização da Copa, com ou sem vitória da seleção nacional, perdure para afetar essa realidade que a antecede.

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