Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Depoimento: Fernando Henrique Cardoso

"Depois do encontro de Poços de Caldas é difícil continuar com a toada de que o PSDB não se define porque está desunido. Praticamente todas as lideranças do partido lá estiveram e manifestaram solidariedade ao presidente da sigla, exortando-o a assumir as responsabilidades de quem será seu candidato à Presidência.

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2013 | 17h15

Então, por que ainda há quem seja reticente à espera de uma chance? Porque política não é exercício de mecânica celeste: não se tem como predizer conjunturas futuras, observação que vale para os demais partidos e candidatos. Assim, quem pretenda ser candidato continuará sempre a esperar que algo inadvertido ocorra e mude o jogo. Aposta arriscada, mas não ilegítima. Cabe aos que não apostam no imprevisto empenhar-se para que a competição transcorra normalmente, mesmo porque os responsáveis por um partido não podem ficar paralisados à espera de um imprevisto, como uma doença num candidato, por exemplo.

Por que apostar no ex-governador mineiro? Porque governou bem seu Estado, com equilíbrio e competência. Agora, que assumiu a direção do partido, da mesma maneira, mostrou que sabe compor – e, mais importante, que tem comando. Quem quiser que se iluda: as formas amenas no trato não são contraditórias com o pulso na tomada de decisões e no controle dos processos políticos. É isso que Aécio Neves tem demonstrado.

O Brasil de hoje, assim como o da primeira metade da década de 1990, precisa de novo salto rumo ao futuro. A mim coube, sem ser economista, cercar-me de uma equipe excelente e ousada. Ganhei credibilidade quando mostrei ao País o que faria e o fiz, controlando a inflação e depois modernizando a máquina pública. Hoje, os sinais de fadiga da atual situação de poder são evidentes, assim como a deterioração da situação econômica. As deficiências de gestão estão a prejudicar a qualidade de vida do povo. Basta exemplificar com a desastrada política energética que desanimou os produtores de etanol, levou ao entupimento das cidades pela redução do IPI dos carros, reduziu as possibilidades de investimento da Petrobrás com a contenção dos preços da gasolina e assim por diante. O governo tenta recuperar os dez anos perdidos dos investimentos de infraestrutura voltando a privatizar, mas envergonhadamente, errando e postergando leilões por ideologia e incompetência. Basta ver os aeroportos e estradas. Os serviços de saúde pública são calamitosos. Tudo isso, e muito mais, está clamando por uma mensagem nova.

Aécio está se cercando de gente competente, tem energia e facilidade de contato e comunicação para expressar uma mensagem não arrogante, aberta à escuta, mas firme para se diferenciar do lulopetismo e do autismo da atual administração, sem necessariamente negar progressos quando seja o caso. É, portanto um candidato competitivo, que parte de uma base sólida, a enorme vantagem que terá no eleitorado mineiro. Dispõe ainda de um partido que governa oito estados, entre os quais São Paulo, e mantém alianças fortes no Norte e no Nordeste, sem falar no Sul, que sempre deu a vitória ao PSDB e seus aliados."

* EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

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