Depoimento decisivo de Jader no Conselho de Ética

Desde que o Conselho de Ética começou a investigar o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) por denúncias de corrupção, esta deverá ser a semana mais importante para traçar o destino do presidente licenciado do Senado. Nesta quarta-feira, ele prestará depoimento à comissão do Conselho de Ética para esclarecer seu suposto envolvimento no desvio de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará), ocorrido entre 1984 a 1987. Com base em depoimentos e relatórios do Banco Central (BC), os integrantes da Comissão consideram já ter evidências que apontam Jader Barbalho como um dos beneficiários do desvio do Banpará. O inspetor do BC, Abrahão Patruni Júnior, deu detalhes de 50 operações em que o senador teria recebido rendimentos de aplicações no Fundo do Banco Itaú, muitas delas utilizando cheques administrativos do Banpará. Jader terá que explicar também como cheques com sua assinatura foram parar em aplicações compostas com dinheiro do Banpará. Antes do senador, a Comissão quer ouvir amanhã o ex-gerente do Banpará Marcílio Guerreiro, que disse ter cumprido ordens superiores quando assinou cheques administrativos que teriam beneficiado o senador. Os depoimentos da semana serão fundamentais para a comissão montar um conjunto de provas e formar uma posição sobre o futuro do senador. Se não for convincente, Jader poderá ser alvo de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar pois, na avaliação de integrantes da Comissão, estará configurado que ele mentiu sobre o seu envolvimento no caso Banpará. O depoimento do presidente licenciado do Senado é aguardado também com expectativa pelo PMDB que, segundo seus partidários, deverá abandonar o senador à própria sorte caso ele não consiga comprovar sua inocência.PautasMesmo com as atenções concentradas no depoimento do senador Jader Barbalho, o Senado e Câmara vão tentar avançar suas pautas nesta semana. A expectativa dos parlamentares é de que, na quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) decida sobre o impasse de quem deve presidir o Congresso Nacional durante a licença de Jader do comando do Senado. A realização da sessão conjunta convocada para votar créditos suplementares está dependendo da solução dessa polêmica jurídica criada pelos representantes da Câmara e do Senado. Na Câmara, por sua vez, haverá um esforço para votar o projeto que regulamenta o dispositivo da reforma da Previdência que equipara o teto da aposentadoria dos servidores ao teto da previdência social e abre a possibilidade de criação de fundos de pensão para complementar a aposentadoria no serviço público. Já o plenário do Senado deverá, na quarta-feira, repetir o debate em torno da votação da indicação do procurador do Banco Central, José Coêlho Ferreira, para o cargo de ministro do Superior Tribunal Militar (STM). Na semana passada, Coêlho - que assinou o parecer do Banco Central, em 1992, sobre o caso Banpará - foi sabatinada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), dividindo a base aliada do governo.

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