Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Depoimento de Valério revela 'desespero', diz Jilmar Tatto

Segundo matéria do 'Estado', empresário depôs ao MP e fez menção a Lula e Antônio Palocci

Bruno Lupion, de O Estado de S. Paulo

01 de novembro de 2012 | 17h24

O deputado federal e líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (PT-SP), minimizou, nesta quinta-feira, 1, o novo depoimento do empresário condenado como operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza, que fez relatos ao Ministério Público Federal e afirmou que, se for incluído no programa de proteção à testemunha - o que o livraria da cadeia -, poderá dar mais detalhes das acusações. O depoimento, revelado pelo Estado, faz menção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-ministro Antonio Palocci e a outras remessas de recursos para o exterior além das incluídas no processo em julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Para Tatto, Valério, condenado a mais de 40 anos de prisão, é uma pessoa "desqualificada" e suas novas afirmações são sinal de "desespero" que não merecem credibilidade. "Eu o vejo (Valério) como uma pessoa desqualificada, que teve a oportunidade nesse período todo (do julgamento) de dizer as coisas e que agora, no momento em que foi condenado, fala qualquer coisa. Não merece o mínimo de credibilidade", afirmou o parlamentar ao chegar à sede do diretório nacional do PT, no centro da capital, para participar reunião da executiva do partido.

Segundo ele, o fato de o Ministério Público não ter aberto, até o momento, nova investigação para apurar as declarações de Valério atesta não haver "nada de novo" no depoimento. "As relações dele com o PT são relações conhecidas, foi (a razão) inclusive de pessoas do PT estarem sendo condenadas por contratos que ele avalizou. Isso já esta na ação penal 470". Para o deputado, o PT já arcou com "um alto preço" por ter se envolvido com Valério. "Agora chega, né, já pagamos os nossos pecados", disse.

No entanto, se os novos fatos apresentados pelo operador do mensalão forem relevantes, ele defendeu a abertura de investigação. "É a lei, tem que cumprir a lei, se o Ministério Público recebe uma denúncia, tem que investigar", disse.

Reforma política. Tatto disse ainda que o PT deve encarar o julgamento do mensalão como um aprendizado e que as lições tiradas do episódio apontam para a necessidade de uma reforma política que incorpore o financiamento público das campanhas. Na visão do deputado, o financiamento privado estaria por trás dos "erros" revelados pela ação penal 470.

"O PT sempre teve convicção de que é importante o financiamento público. Cada eleição que passa a gente acende essa chama de que tem que ter financiamento público. Ninguém aguenta mais (o financiamento privado)", disse.

Questionado se o PT deveria sair em defesa dos condenados pelo STF, Tatto disse não achar adequado. "Isso não faz parte da política do PT. O PT tem q se preocupar com o povo brasileiro, com o crescimento econômico, com a distribuição de renda, defender o governo Dilma. Essa é a pauta política do País", afirmou.

A executiva nacional do PT cogitou divulgar nesta quinta-feira nota oficial sobre o julgamento do mensalão, mas decidiu aguardar mais algumas semanas até que a dosimetria das penas seja definida e o julgamento, encerrado.

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