Depoimento de petista não convence CPI no RS

O depoimento do presidente do Clube de Seguros da Cidadania, o petista Diógenes de Oliveira, não convenceu a maioria dos deputados da CPI da Segurança Pública do Rio Grande do Sul. Pivô do escândalo que envolve o governo Olívio Dutra com o jogo do bicho, Diógenes reconheceu ser "amplamente favorável à legalização de todos os jogos no Brasil", mas mais uma vez negou que tivesse autorização do governador para pedir ao ex-chefe de Polícia, Luiz Fernando Tubino, que os bicheiros não fossem reprimidos, ou que tenha recebido doações dos banqueiros da ?zooteca? para a campanha eleitoral petista."Não sou bicheiro, não conheço nenhum diretor do jogo do bicho e nunca arrecadei nenhum centavo desse setor para o que quer que fosse", disse Diógenes, atribuindo o pedido feito ao delegado Tubino meramente às queixas ouvidas de apontadores do jogo do bicho sobre a extorsão policial. "Não tinha autorização do governador para usar o seu nome, nem nunca falei com ele, nem antes nem depois, sobre esse episódio. Foi apenas um carteiraço que eu dei, falso, como já disse."O petista voltou a sustentar que a atual sede do PT foi adquirida pelo clube com doações lícitas e dedicou a maior parte de sua exposição inicial, transcrita em 17 páginas distribuídas à imprensa, para denunciar o que chamou de "conspiração macabra" com a participação da oposição e do grupo RBS, maior conglomerado de comunicação do Estado. Segundo ele, os veículos da RBS (RBS TV e jornais Zero Hora e Diário Gaúcho) estariam tentando desestabilizar o governo, através de sucessivas denúncias sem provas, por terem perdido receitas publicitárias.Em represália às acusações que sofreu, Diógenes enumerou aos parlamentares uma série de operações internacionais que a RBS fez através de empresas do grupo sediadas nas ilhas Cayman entre 1996 e 2000. "Me parece ser um indício muito forte de lavagem de dinheiro, pura e simplesmente."Em nota oficial, a RBS afirma que tomará medidas legais contra o presidente do Clube da Cidadania e que todas as suas operações financeiras são regulares e estão devidamente registradas nos órgãos competentes. A empresa também informa que as verbas do governo do Estado nunca representaram mais do que 3% da receita publicitária do grupo.Para os deputados oposicionistas, as acusações de Diógenes fazem parte de uma manobra "diversionista" do PT para evitar dar explicações sobre a origem dos recursos utilizados para a compra da sede do partido. O imóvel da Avenida Farrapos, em Porto Alegre, foi adquirido em 1998 pelo Clube da Cidadania, por R$ 310 mil, e foi cedido em comodato ao PT durante a campanha eleitoral. De acordo com a relação das doações declaradas pelo clube à Receita Federal, a entidade teria recebido apenas R$ 282.626 até a data de quitação da sede.A diferença de valores foi coberta, segundo Diógenes, por um empréstimo de R$ 80 mil obtido junto a vários amigos. Questionado sobre os pagamentos que constavam da quebra do sigilo bancário do clube, entretanto, ele disse não ter condições de responder no momento, dependendo do auxílio dos contadores. "Ficamos frustrados, porque estamos aqui com a pessoa que arrecadou o dinheiro para a compra da sede do PT e não está conseguindo explicar a origem dos recursos, pois remete tudo a registros contábeis. A gente sabe que o papel aceita tudo", afirmou o relator da CPI, Vieira da Cunha (PDT).De acordo com o pedetista, os dirigentes do Clube da Cidadania poderão ser enquadrados em crime de estelionato e falso testemunho. Isso ocorreria porque muitos doadores da entidade convocados pela CPI declararam ter contribuído para projetos sociais e não para fins eleitorais. "Com algumas pessoas fui mais explícito, com outras menos, mas entendi que a compra de um imóvel estava em consonância com o estatuto do clube", justificou Diógenes.O relatório da CPI será votado no próximo dia 14, e as denúncias serão encaminhadas ao Ministério Público, mas a oposição tentará instalar uma nova comissão de inquérito em janeiro para continuar investigando o PT.

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