Depoimento de inspetor do BC pode prejudicar Jader

A subcomissão do Conselho de Ética, encarregada de decidir se deve ou não ser aberto um processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), aguarda o depoimento do inspetor do Banco Central, Abraão Patruni Júnior, na próxima quinta-feira, para tomar uma decisão. Além de mostrar como se deu o desvio de recursos do Banpará, Patruni vai ter de convencer um dos integrantes da subcomissão, o senador João Alberto (PMDB-MA), que Jader mente ao afirmar que não participou desse esquema. O parlamentar contesta as explicações da nota técnica elaborada pelo Ministério Público Federal com base no relatório montado por Patruni.Segundo ele, mesmo na época em que ocorreu a fraude, entre 1983 e 1987, seria impossível aplicar num fundo de investimento ao portador de outro banco cheques administrativos de um banco estadual. "Teria de haver uma triangulação", justifica. João Alberto afirma que, como ex-bancário, não pode aceitar que uma "operação inviável" venha a ser apontada como prova. "Vou ter de ser convencido", adianta. "Não estou dizendo que a coisa não exista, pode até existir e até pior, mas não da forma como está sendo dita". João Alberto é o único relutante dos três integrantes da subcomissão com relação ao envolvimento de Jader Barbalho no desfalque do Banpará.Os senadores Romeu Tuma (PFL-SP) e Jefferson Peres (PDT-AM) lembram que os argumentos utilizados por Jader para se defender são contestados pelas investigações do Ministério Público. "Em tese já há elementos para abrir um processo por quebra de decoro", defende Tuma, que espera receber amanhã do procurador-geral Geraldo Brindeiro "informações mais aprofundadas" sobre o desvio no Banpará. "Não estamos dormindo", afirma. "Estamos correndo atrás de informações". A principal arma contra Jader - os relatórios referentes a auditorias, inspeções e fiscalizações realizado no Banpará no período em que ele governava o Estado - serão entregues amanhã à subcomissão. Os documentos estão à disposição do presidente do Conselho de Ética, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), mas a entrega foi adiada porque os três senadores estavam fora de Brasília. "É uma batata quente que só interessa a quem está trabalhando no caso", justifica.Depoimento de Jader - De posse dos relatórios, a oposição acha que chegou o momento de ouvir Jader Barbalho. De acordo com líder do bloco da oposição, José Eduardo Dutra (PT-SE) e da senadora Heloísa Helena (PT-AL), a iniciativa vai desmontar o esquema montado pelo presidente licenciado, de falar para uma platéia sem ser contestado. "Ele precisa responder perguntas e não ficar discursando", justifica Dutra. Heloísa e Dutra alegam que a estratégia de defesa de Jader só se mantém porque não está sendo contestado por documentos, como os que estão nos relatórios do Banco Central. Tuma afirma que só vai decidir depois de ouvir o depoimento de Patruni. Ele espera ainda receber documentos que permitam comprovar se Jader realmente declarou a compra da Fazenda Chão Preto no Imposto de Renda da Fazenda Rio Branco. Os senadores acreditam que os depoimentos à subcomissão do ex-presidente do Banco Central, Francisco Gros, e do procurador-geral da instituição, José Coêlho Ferreira, marcados para o final da tarde de amanhã, não devem acrescentar nenhum dado novo ao trabalho do Conselho de Ética.

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