Depoimento de inspetor do BC agrava situação de Jader

Depois de quase quatro horas de depoimento, o inspetor do Banco Central Abrahão Patruni Júnior convenceu hoje a subcomissão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar de que o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), foi um dos beneficiários do desvio de recursos do Banpará durante o período em que governou o Pará.Os três senadores da subcomissão disseram que ficaram impressionados com a riqueza de detalhes das operações ilícitas apresentada por Patruni apontando para o envolvimento de Jader nas movimentações fraudulentas no Banpará. O depoimento de Patruni agravou ainda mais a situação de Jader e será peça chave para apresentação de um relatório da subcomissão recomendando a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador paraense.Além disso, servirá como munição para que os senadores possam interpelar o presidente licenciado da Casa na quarta-feira. ?O nome de Jader aparece em várias operações e ele terá de explicar isso?, disse o senador Jefferson Péres (PDT-AM). ?Não há prova de que o dinheiro foi parar nas mãos de Jader, mas foram encontrados resíduos de aplicações que foram parar em suas contas?, declarou o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP).Na avaliação de Tuma, o depoimento de Patruni serviu para desmontar o principal argumento de Jader com base no parecer do BC de 1992 segundo o qual não foi possível detectar ?provas suficientes e robustas? contra Jader. Para Tuma, não há ?conflito? entre o relatório do inspetor, que destacou que Jader foi beneficiário do esquema de desvios, e o parecer assinado pelo procurador do BC José Coelho Ferreira. Ele afirmou ainda que Patruni considerou fundamental a quebra de sigilo bancário determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), já que esse levantamento ?complementará? o trabalho de fiscalização do BC no Banpará. Péres acredita que os esclarecimentos de Patruni são decisivos para as investigações, porque comprovam as evidências de que Jader e pessoas ligadas a ele receberam dinheiro do Banpará.Em seu depoimento, o inspetor da instituição, que deixou o Senado sem dar entrevistas, apresentou aos senadores documentos, entre os quais cópias de cheques do Banpará e detalhes das transações. ?O depoimento do inspetor foi muito convincente e a evidência documental é fortíssima?, disse o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que também acompanhou a reunião fechada na qual foi ouvido o funcionário do BC.Para Suplicy, os senadores presentes, inclusive João Alberto (PMDB-MA), membro da comissão que tem ligação com Jader Barbalho, saíram convencidos de que o senador paraense participou da fraude do Banpará.Na saída, senadores aproveitaram para comentar a suposta pressão sofrida por Tuma numa negociação para salvar Jader da cassação de mandato. O próprio Tuma disse que não teme ?terrorismo?. ?A minha canela é resistente?, brincou o corregedor, referindo-se à pressão que estaria sendo feita por aliados de Jader no Senado para evitar a abertura de processo por quebra de decoro contra ele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.