Marcos Bezerra/Futura Press
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Depoimento de dono da UTC no TRE é adiado

Ricardo Pessoa falaria no processo sobre supostas irregularidades na campanha de Dilma, em 2014, mas alegou estar impedido de se manifestar como testemunha devido a sigilo da delação premiada firmada por ele em maio

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2015 | 12h58

SÃO PAULO - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) adiou nesta terça-feira, 14, o depoimento do dono da UTC, Ricardo Pessoa, no processo sobre supostas irregularidades na campanha de 2014 que reelegeu a presidente Dilma Rousseff. A Justiça Eleitoral ainda não definiu uma nova data para ouvir o empreiteiro.

A oitiva de Pessoa, que é considerado pela Polícia Federal o "chefe" do cartel das empreiteiras investigadas no esquema de desvios da Petrobrás, foi autorizada em junho pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, relator da investigação eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O pedido para que o delator seja ouvido na investigação partiu do PSDB, que é autor da ação no TSE para apurar se houve abuso de poder político e econômico na campanha que reelegeu a presidente no ano passado.

A decisão do TRE foi tomada após Pessoa ter permanecido em silêncio durante a oitiva por alegar estar impedido de prestar depoimentos na condição de testemunha até que seja retirado o sigilo da delação firmada por ele em maio com o Ministério Público Federal. O acordo foi homologado no fim de junho pelo ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), mas permanece sob sigilo.

Advogado do PSDB, José Eduardo Rangel Alckmin, confirmou o adiamento da oitiva ao sair do prédio do TRE depois de duas horas em que Pessoa ficou reunido, a portas fechadas, com advogados do PT, do PSDB, o juiz e um representante do procurador-geral da República. Alckmin disse que o juiz determinou a suspensão após uma manifestação feita pelo representante do procurador-geral. Segundo ele, ninguém fez perguntas ao empreiteiro. "Não houve pergunta. Simplesmente houve a suspensão", disse Alckmin.

Ainda de acordo com Alckmin, o partido vai aguardar que o ministro Teori Zavascki autorize que Pessoa conceda o depoimento à Justiça Eleitoral. Uma nova data para a oitiva deve ser marcada depois dessa autorização. Questionado sobre a demora da oitiva mesmo após a suspensão, o advogado atribuiu aos trâmites processuais. "Teve a formalização da ata. Questões mais burocráticas", afirmou. Alckmin afirmou também não ter ficado frustrado com a decisão.

Os advogados do PT se recusaram a dar entrevista. Ao saírem do TRE, um deles disse apenas que "foi decretado sigilo do processo". O dono da UTC entregou aos investigadores uma planilha intitulada "pagamentos ao PT por caixa dois" que relaciona pagamentos a políticos.

Três pessoas ligadas ao movimento Acorda Brasil protestaram em frente ao prédio do TRE durante a oitiva do empreiteiro. Os manifestantes, que defendem o impeachment de Dilma,  se revezavam no megafone para pedir que Pessoa confesse os eventuais crimes cometidos em favor da campanha de Dilma. "Conta tudo, Ricardo", gritavam.

O grupo trouxe duas faixas: uma com os dizeres "Renúncia já" e outra com a mensagem "Fora Dilma, pede para sair".

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