Dida Sampaio/AE
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Depoimento de Cachoeira na Justiça de Goiás ainda não tem data marcada

Liminar determina que a suspensão dure até o cumprimento de diligências solicitadas pelos advogados

Alana Rizzo, de O Estado de S.Paulo

31 Maio 2012 | 19h57

As novas audiências do processo envolvendo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e outras sete pessoas ainda não têm data marcada. Liminar concedida na noite de quarta-feira, 30, suspendeu os depoimentos de 14 testemunhas e dos réus agendadas para quinta e sexta. A decisão foi tomada pelo desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. Segundo os advogados de Cachoeira, houve cerceamento do direito de defesa. O Ministério Público Federal (MPF) estuda como recorrer contra a liminar.

Para o procurador Regional da República Carlos Alberto Vilhena, não há mais possibilidade dos depoimentos acontecerem nesta sexta-feira, 1º. A partir da próxima semana, a 11ª Vara Federal, onde tramita o processo, passará por inspeção, atrasando ainda mais a nova agenda.

De acordo com a liminar, a suspensão deve durar até o cumprimento de diligências solicitadas pelos advogados, como o fornecimento pelas companhias telefônicas de extratos e de identificação de quando e quais dados foram acessados pela Polícia Federal (PF).

Tourinho Neto determinou ainda que o juiz da 11ª Vara Federal, Paulo Augusto Moreira Lima, autorize conversas reservadas de pelo menos quatro horas entre a defesa e Cachoeira no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, antes do interrogatório. "A entrevista dar-se-á de modo direto, sem a utilização de interfones," diz o despacho. No entanto, advogados acreditam que os sete presos, entre eles Cachoeira, serão soltos nos próximos dias.

A defesa do bicheiro questiona também o desmembramento do processo. Segundo a advogada Dora Cavalcanti, as acusações têm caráter bilateral." Se de um lado o particular corrompe, de outro o funcionário público é corrompido; se de um lado um servidor do Estado viola o sigilo funcional, de outro o agente particular é beneficiado por tal violação."

Na decisão, Tourinho Neto sustenta que os fatos são intricados e fez referências ao mensalão, em que 40 denunciados respondem ao mesmo processo. "Realmente, a separação dos processos, levando em consideração os denunciados presos, por força de preventiva, e os que se encontram em liberdade, dificultará a defesa."

A operação Monte Carlo, deflagrada em 29 de fevereiro, resultou na denúncia de 81 pessoas. Os sete réus presos e Geovani Pereira da Silva, que está escondido em Goiás, respondem a um processo. Em outro, estão 73 pessoas. Parte dos denunciados ocupa cargo público e sequer tiveram denúncia aceita pela Justiça.

O despacho de Tourinho Neto surpreendeu funcionários da Justiça Federal em Goiás. Os servidores da 11ª Vara foram comunicados na manhã desta quinta por e-mail e ficaram frustrados. O juiz substituto Paulo Augusto determinou o cumprimento da decisão, mas não compareceu ao gabinete.

Manifestantes fizeram protestos na porta do prédio da Justiça e cobravam a saída do governador tucano Marconi Perillo por suas ligações com o bicheiro.

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