Depoimento complica investigação de TDAs

O depoimento do advogado Paulo Lamarão, na Polícia Federal, apenas aumentou ainda mais a dúvida do delegado Luiz Fernando Ayres Machado sobre a ligação de Vicente de Paula Pedrosa da Silva com o senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Lamarão, desafeto do presidente do Senado há 18 anos, e contra quem já abriu 16 ações, em tramitação na Justiça do Pará, afirmou que Pedrosa comprara a fazenda Paraíso, desapropriada irregularmente em 1988, de Jader. Os documentos apresentados pelo senador mostram, entretanto, que a propriedade foi vendida para um grupo empresarial, mas Lamarão afirma que existem certidões mostrando ao contrário. Com isso, Ayres Machado deverá pesquisar em cartórios do Estado a cadeia dominial da propriedade. O advogado entregou, à PF, uma relação de todas as pessoas que receberam Títulos da Dívida Agrária (TDAs) no Pará, no período em que Jader foi ministro da Reforma Agrária, de setembro de 1987 a junho de 1988. "A relação do presidente do Senado com Vicente é antiga e vem da negociação desta fazenda", afirma Lamarão, indicando que a quebra de sigilo bancário e fiscal do empresário e do senador seria o caminho mais fácil para esclarecer o caso. Vicente de Paula Pedrosa da Silva é acusado pelo ex-banqueiro Serafim Rodrigues Morais e sua mulher Vera Arantes Dantas de ser intermediário de Jader na venda de TDAs, ocorrida em outubro de 88. Os TDAs são oriundos da desapropriação irregular da Fazenda Paraíso. No depoimento, Lamarão contou que todo o negócio foi feito entre o ex-deputado federal Antonio Pinho Brasil, então secretário de Assuntos Fundiários do Incra, e o ex-superintendente-adjunto da autarquia em Belém, Henrique Santiago da Silva. "Houve uma reunião entre eles. Depois disso, o Santiago foi para Brasília e levou o processo da fazenda, que pouco depois desapareceu", afirmou o advogado. Pinho Brasil, que foi secretário de Planejamento no segundo governo de Jader, também compareceu ao depoimento, mas se recusou a responder a todas as 45 perguntas formuladas pelo delegado Ayres Machado. Ele também não quis falar com a imprensa na saída da Polícia Federal, onde chegou dirigindo um carro popular, e bastante abatido. Amanhã, serão ouvidos pela PF, Raimundo Hugo de Oliveira Picanço e Luiz Fernando da Silva Munhoz, que eram funcionários do Incra na época em que houve a desapropriação irregular da fazenda. Os dois foram condenados a cinco e três anos de prisão, respectivamente, mas estão respondendo em liberdade porque recorreram da sentença.

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