Denúncias sobre Caso Marka mobilizam governo

Temendo o agravamento da crise política com a volta à cena da polêmica ajuda financeira aos bancos Marka e FonteCidam, o governo se mobilizou e divulgou hoje diversas notas oficiais negando conhecimento do esquema de vazamento de informações privilegiadas no Banco Central e anunciando empenho na investigação de novos dados relativos ao caso. Além do Palácio do Planalto, a Polícia Federal e o ex-ministro da Casa Civil, Clóvis Carvalho, divulgaram notas. O Palácio garantiu em breve texto que o presidente Fernando Henrique Cardoso não teve "nenhum conhecimento de deslize"do ex-presidente do BC, Chico Lopes.A nota explica ainda que a demissão do ex-presidente do BC "teve razõesexclusivamente funcionais". Lopes, que era diretor de Política Monetária do banco, permaneceu na presidência do BC por apenas 21 dias e nem chegou a ser empossado no cargo. Junto com a nota da Presidência, assinada pelo porta-voz, Georges Lamazière, foi anexada nota à imprensa divulgada pelo ex-ministro Clóvis Carvalho, apontado pela revista Veja como responsável por monitorar crises e ameaças veladas de Lopes.Em suas explicações, Carvalho - que foi ministro-chefe da Casa Civil e doDesenvolvimento antes de deixar o governo - negou ter sido "escalado paraqualquer ação relativa a qualquer tipo de ameaça ou crise, como diz a matéria (da revista), simplesmente porque elas não existiram".Clóvis encerra a nota afirmando: "o governo não tinha porque monitorar ninguém, porque não havia nenhum fato ilícito ou ameaçador que ele temesse vir ao conhecimento público." A posição oficial do Banco Central faz referência apenas à diretora de fiscalização Tereza Grossi. "Tereza Grossi já prestou todas as informações sobre o caso à Justiça e à CPI (do Sistema Financeiro)", diz o comunicado do BC. A atual diretora de fiscalização ocupava o cargo de chefe emexercício do Departamento de Fiscalização do BC no momento em que a ajuda financeira aos bancos Marka e FonteCidam foi decidida. Grossi alega que em nenhum momento conversou com o então diretor de política monetária, Chico Lopes, sobre a operação.InvestigaçãoTambém em nota oficial, a Polícia Federal reconhece que areportagem traz como novidade o número de uma conta no exterior que favoreceria ilicitamente o suposto esquema de vazamento de informações e o número de três telefones celulares que teriam sido usados no esquema. "Tais pontos, por sua relevância, serão objeto de imediata e pertinente investigação pela Polícia Federal", diz o texto.A nota ressalta ainda que em 12 de abril de 1999 o Ministério da Justiçadeterminou à PF abertura de inquérito para apurar noticiário veiculado por Veja, que envolvia os bancos Marka e FonteCidam e o vazamento de informações privilegiadas a partir do BC. "Tal inquérito resultou em exaustiva investigação materializada em 11 volumes e 28 anexos que se transformaram em Ação Penas contra 13 indiciados", afirma o texto, acrescentando que tal ação corre perante o juízo da 6ª Vara Federal no Rio de Janeiro.TucanosEntre os tucanos, que se reuniram no sábado em Brasília para escolhero deputado José Anibal (SP) como o novo presidente nacional do partido a reação diante da reportagem era de perplexidade e de defesa prévia do ministro da Fazenda, Pedro Malan, acusado pela revista de ter conhecimento do esquema. "O Malan, eu não acredito, o Malan eu conheço", reagiu o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL).Ministros tucanos também apressaram-se em defender a lisura do comportamento de Fernando Henrique e do ministro Malan neste caso. "A saída de Chico Lopes do BC se deve a mudanças de câmbio que ele se recusou a fazer", disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Aloysio Nunes Ferreira."O ministro Malan não é da polícia e se havia algo ilegal dentro do ministério o que ele poderia fazer?", acrescentou. "Se havia alguma pessoa envolvida em algo ilícito no BC, o governo foi vítima dessa pessoa", disse o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que defendeu a investigação das denúncias para que todo o episódio seja esclarecido.

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