Denúncias podem abalar candidatura de Serra, diz analista

Mesmo considerando baixo os riscos de instalação de uma CPI, a analista para América Latina do banco Bear Stearns, Emy Shayo, diz que o maior prejuízo das denúncias de pedido de propinas pelo economista Ricardo Sérgio na privatização da Companhia Vale do Rio Doce, publicadas pela revista Veja, é o estrago político na candidatura do senador José Serra (PSDB).A reportagem da Veja relata também outra denúncia grave: a de uma alegada doação de R$ 2 milhões do empresário Carlos Jereissati para a campanha ao Senado de José Serra em 1994, que teria declarado apenas R$ 95 mil. "Embora seja difícil a criação de uma CPI e da própria apuração da denúncia de propina na privatização da Vale, o episódio deverá causar um estrago na candidatura de Serra, inclusive com impacto nas próximas pesquisas de opinião", disse Shayo à Agência Estado.Ela também acha que o maior temor entre os analistas em Wall Street é que o "episódio Ricardo Sérgio" abra as portas para mais acusações e denúncias contra o governo Fernando Henrique Cardoso e contra o candidato Serra. "Por outro lado, esse caso Ricardo Sérgio já era sabido por quem é do meio político e até pelos comentaristas políticos da mídia brasileira.Havia até o temor de que o senador José Sarney (PFL), na ocasião em que foi defender a honra da sua filha Roseana Sarney no Senado por conta do episódio Lunus, fizesse alguma denúncia envolvendo Ricardo Sérgio, o que não aconteceu", comentou.Segundo Shayo, a ocorrência de uma CPI é difícil tanto pelo lado político quanto pelo lado técnico. "Politicamente, não há vontade de ninguém, exceto a oposição. O PFL, que será o fator decisivo, preferirá costurar um acordo com o governo e manter sua aliança com partidos governistas em dez Estados", disse. Tecnicamente, Shayo também acha difícil, uma vez que o Congresso entra em recesso parlamentar no final de junho, portanto um prazo curto para coletar todas as assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI.

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