Denúncias devem ser o principal tema do Congresso na semana

O cerco de denúncias está se fechando em torno do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). O noticiário do final de semana traz mais alguns detalhes do suposto envolvimento dele com acusados de desvio de recursos da Sudam. Serão cobradas novas explicações, mas é improvável que Jader ocupe novamente a tribuna do Senado para se explicar - seria a quarta vez desde que assumiu a Presidência da Casa. As pressões pela renúncia ao cargo também devem aumentar. Mas, faltando apenas duas semanas para o recesso parlamentar, é possível que o senador paraense mantenha a frieza que lhe é característica e suporte mais essa carga de denúncias. A situação do presidente do Senado será avaliada pelos líderes partidos de oposição ao governo. Eles devem se reunir amanhã na casa do líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES). Será uma tentativa de unificar a ação, tanto no que diz respeito a Barbalho, como em outras questões do Congresso. Na pauta dessa reunião, a votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2002 também terá destaque - até porque está correlacionada ao caso de Barbalho. A oposição deverá decidir se irá obstruir para valer a votação da LDO - o que impediria o início do recesso de julho - ou se contentará com "alguns avanços" na proposta, tal como vem procedendo nos últimos anos. A segunda escolha favorece Barbalho, mas pode ser interessante também para uma parte da oposição, que deseja esvaziar as denúncias de envolvimento do líder do Bloco Oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), como a violação do painel eletrônico. Formato da marchaA oposição também precisa decidir o que fazer em relação à marcha contra a corrupção, marcada para 27 de junho.Dependendo da repercussão do ato, eles precisam estar preparados para uma atuação parlamentar que revigore a CPI da Corrupção - seja a do Senado ou uma nova proposta de CPI Mista com um conjunto menor de fatos a serem investigados. Se a oposição desistir da CPI do Senado, poderá facilitar as coisas para os senadores tucanos do Paraná Álvaro e Osmar Dias. O prazo que a Comissão Executiva Nacional do PSDB deu a eles para retirarem as assinaturas do requerimento de instalação da CPI termina amanhã. Os dois senadores insistem em manter o apoio e podem ser obrigados a enfrentar um processo de expulsão do partido. Outro assunto a ser tratado na reunião dos líderes de oposição prevista para amanhã é a possibilidade de votação da proposta de emenda constitucional que restringe a edição de medidas provisórias. Conforme havia anunciado na semana passada, o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), manteve, ainda que discretamente - é o oitavo item -, a matéria na pauta da sessão de amanhã. Embora o governo esteja acenando com alguma melhora na proposta, um acordo ainda está muito distante. O mais provável é que haja um campeonato de discursos para se tentar responsabilizar uns aos outros pelo fracasso. Outros destaques da semana são a reunião dos presidentes de diretórios regionais do PMDB como o presidente em exercício do partido, senador Maguito Vilela (GO), marcada para amanhã, e a posse do senador Ramez Tebet (PMDB-MS) com o ministro da Integração Nacional, prevista para quarta-feira.

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