Denúncias de desvio envolvem Codeba e BNB

A corregedora-geral da União, Anadyr de Mendonça Rodrigues, recebeu nesta terça-feira novas denúncias de desvio de recursos dos cofres públicos na Companhia das Docas da Bahia (Codeba) e no Banco do Nordeste (BNB).As duas denúncias têm também caráter político: envolvem Afrísio Vieira Lima, que preside a Cobeba e é pai do líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e o diretor-presidente do BNB, Byron de Queiroz, aliado político do governador do Ceará, Tasso Jereissati. As acusações contra o pai de Geddel foram trazidas pelo secretário de governo da Bahia, Sérgio Sanches Ferreira, e são mais um round da briga que o senador Antonio Carlos Magalhães trava com Geddel em seu Estado.Uma comissão de deputados do PT, entre eles José Pimentel, do Ceará, entregou à corregedora Anadyr denúncias contra a gestão de Byron no BNB. Pimentel apresentou nesta terça-feira, na Câmara, o relatório do grupo de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito que apura irregularidades no uso de recursos do Fundo de Investimentos do Nordeste, também administrado pelo BNB.O petista afirmou que o Finor é dirigido por superintendentes indicados politicamente, e a aprovação dos projetos, sob responsabilidade de 10 governadores das regiões Norte e Nordeste, não levam em consideração detalhes técnicos.A Codeba é uma sociedade de economia mista na qual a União possui 95% das ações, e o Estado da Bahia os 5% restantes. Sanches Ferreira afirma que há desvios patrimoniais na empresa e que os dirigentes se negam a fornecer dados sobre licitações, prestações de serviço e comprovações de despesas ao Estado, mesmo com liminar da Justiça para que isso seja feito. O secretário baiano entregou à ministra 31 documentos listando as irregularidades. Entre elas o desembolso de R$ 10 milhões para a compra de um guindaste que até agora não apareceu.Sanches Ferreira garante que sua motivação não é política e pediu a Anadyr a suspensão da assembléia de acionistas, no dia 30 deste mês, para aprovar as contas da empresa. No caso do BNB, os deputados do PT alegam que a despeito de existirem 11 auditorias contra a gestão de Byron tramitando no Tribunal de Contas da União e duas no Banco Central, o Ministério da Fazenda insiste em mantê-lo no cargo.No documento entregue à corregedora, eles listam vários empréstimos feitos pelo BNB, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), para atender políticos que teriam causado prejuízos aos cofres do banco. Entre os empréstimos citam a compra de uma fábrica da Coca-Cola, pela empresa Refresco S.A., de propriedade de Tasso Jereissati, que teria provocado um prejuízo de R$ 1,75 milhão (valores de 1995). Os deputados pediram a destituição imediata da atual diretoria do BNB. Segundo Pimentel, Anadyr prometeu encaminhar as denúncias aos órgãos competentes e dar uma resposta o mais rápido possível.O presidente da Comissão de Fiscalização da Câmara, Wellington Dias (PT-PI), convidou a corregedora Anadyr a ir à comissão explicar aos deputados que função desempenha no governo. "Podemos estabelecer um trabalho de parceira", disse o petista.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.