Denúncias contra Temer 'são graves', diz Doria

Prefeito de São Paulo defende que Diretório Nacional do PSDB deve se reunir 'oportunamente' para analisar continuidade do apoio do partido ao governo

Julia Lindner, Agência Estado

28 de junho de 2017 | 18h19


BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), avaliou nesta quarta-feira, 28, que as denúncias contra o presidente Michel Temer são "graves", mas ponderou que o Diretório Nacional do partido deve se reunir "oportunamente" para analisar o caso.

O prefeito declarou que somente o Judiciário deve decidir sobre a culpabilidade ou não de Temer, alvo de denúncia da Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva. Há expectativa de que o presidente também seja denunciado pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa.

"Não se pode estabelecer culpabilidade antes que ela exista, nem estabelecer juízo que não cabe a nós, nem à opinião pública, nem ao Poder Executivo, tampouco aos jornalistas, mas, sim, ao Judiciário. O Judiciário que deve tomar essa decisão", afirmou Doria durante visita ao Congresso Nacional.

Ao ser questionado sobre a atitude do presidente de atacar a PGR durante pronunciamento feito nesta terça-feira, 27, Doria respondeu que é preciso garantir o direito de defesa do presidente.

O tucano possui uma agenda extensa de compromissos em Brasília nesta quarta. Desde cedo, já esteve reunido com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), parlamentares e empresários. 

Candidatura. Em almoço com empresários de Brasília, Doria afirmou que o povo decidirá quem será o representante do partido na eleição de 2018. Ele disse que não se apresenta como candidato para o pleito porque "deve lealdade" ao governador Geraldo Alckmin (SP) e "não fará nada para atropelá-lo" ou colocá-lo "em situação de constrangimento".

Doria ponderou que no futuro a legenda definirá o seu candidato "sem ressentimentos, sem machucaduras, sem mágoas e de forma natural". "Quem toma a decisão para uma candidatura dos bons partidos não são os candidatos nem os partidos. É o povo", afirmou, citando fala do próprio Alckmin e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

As declarações ocorreram em evento organizado pelas seções do Distrito Federal da Fecomércio e do Lide, fundada pelo tucano. Durante o discurso, o prefeito de São Paulo também voltou a criticar o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele defendeu que o petista dispute as eleições do ano que vem para ser derrotado e "enterrado".

O tucano disse não temer os índices de popularidade de Lula, lembrando que, na disputada pela prefeitura de São Paulo, no ano passado, derrotou o candidato do petista, Fernando Haddad. "Evidentemente que Lula não é o Haddad, mas não temos que ter medo do Lula. Já defendi e continuo a defender que o Lula deve ser candidato nas eleições. Deve disputar as eleições, sim, e perder as eleições. Para não criarmos um mártir e a vitimização que pode eternizar a figura de um mito que não é mito", disse Doria.

Ele destacou que o fato de Lula disputar as eleições "não vai isentá-lo das penas que ele deverá receber, provavelmente fruto dos cinco indiciamentos que já tem". "Ao perder a eleição, e assim será, Deus é grande e o povo brasileiro também, vamos enterrar o mito, vamos enterrar o Lula e vai ficar o Luiz Inácio", disse o prefeito de São Paulo encerrando a palestra.

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