Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação

Mesa do Senado decide na quinta se abre novo processo para investigar uso de 'laranjas' na compra de rádios

14 de agosto de 2007 | 09h18

A situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se complica ainda mais. Já são três frentes de investigação abertas contra o senador em resposta a série de acusações que pesam sobre ele. A última, que envolve uso de "laranjas" na compra de emissoras em Alagoas, preocupa o Planalto e faz aumentar o coro dos que pregam sua renúncia da presidência. Renan já afirmou em diversas ocasiões que "nada teme" e não deixa o cargo.   Veja tambem:    Cronologia do caso Renan  Veja especial sobre o caso Renan    Veja os 30 quesitos da perícia da PF       De emissoras e "laranjas"   A entrevista do empresário João Lyra à revista Veja desta semana, confirmando que Renan usava "laranjas" para esconder a sociedade dos dois em empresas de comunicação, praticamente selou a decisão de a Mesa da Casa mandar para o Conselho de Ética o terceiro pedido de abertura de processo contra o presidente do Congresso, que deve ser votado nesta quinta-feira.   Lyra, que hoje é adversário de Renan, confirmou a sociedade oculta com o peemedebista. Na parceria, que durou entre 1999 e 2005, para a compra da JR Radiodifusão e d'O Jornal, Renan teria investido R$ 1,3 milhão, segundo o empresário. O usineiro contou que, como o senador não podia aparecer, registrou a empresa em nome de dois "laranjas": Renan Calheiros Filho, o Renanzinho, e Tito Uchôa, seu primo.   Em resposta, Renan apenas afirma que está sendo "alvo de disputa política regional". Na semana passada, em discurso na tribuna, afirmou que é vítima de adversários políticos derrotados em Alagoas, citando Lyra e a ex-senadora Heloísa Helena, do PSOL, partido que representou contra ele.   O senador também partiu para o ataque, acusando a Editora Abril, que edita a revista Veja, de negócio suspeito na venda da TVA para a Telefônica.   Favores e venda de gado   As irregularidades no uso de "laranjas" vêm a se somar a dois outros caos: o do lobista e o da Schincariol. O primeiro foi o detonador do caso. Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo e tenta, sem sucesso, provar que tinha rendimentos suficientes para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.   Para comprovar que não precisava de recursos do lobista, Renan apresentou documentos cheios de irregularidades. Segundo o senador, foram R$ 1,9 milhão em quatro anos. Renan diz apenas que Gontijo é seu amigo pessoal e que intermediava o contato com Mônica por se tratar de um caso extraconjugal.   No Conselho de Ética, após diversas reviravoltas - como três mudanças de relator -, o processo aguarda a conclusão da perícia da Polícia Federal nos documentos de defesa. O laudo vai dizer se os recursos têm origem legal e deve ficar pronto nesta quinta-feira.   Negócios suspeitos   Já a denúncia que envolve a Schincariol consiste na venda supostamente superfaturada de uma fábrica da família Calheiros por R$ 27 milhões, quando não valia mais de R$ 10 milhões. Em troca, Renan, conforme a acusação, teria favorecido a empresa junto ao INSS, impedindo a execução de uma dúvida de R$ 100 milhões, o que ele nega.   O caso Schin virou processo no Conselho de Ética no Senado na semana passada e aguarda a escolha de um relator, o que está previsto para acontecer esta semana. Renan nega favorecimento à empresa e irregularidades no negócio de sua família.   STF e pressões de senadores   O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu abrir inquérito para investigar as denúncias e já autorizou a abertura dos sigilos bancário e fiscal de Renan nos últimos sete anos. O inquérito trata inicialmente do pagamento de despesas por um lobista, mas também pede esclarecimentos de suspeitas de favorecimento ilícito ao grupo Schincariol. O uso de 'laranjas' na compra de duas emissoras de rádio em Alagoas ainda pode ser anexado à investigação.   Para pressionar Renan a deixar a presidência, senadores do DEM e do PSDB já anunciaram que vão obstruir votações de interesse do governo. O senador também sofre constrangimentos nos discursos em plenário pedindo sua saída.   Renan já chegou a afirmar que não será um novo 'Severino' e resistirá até o último momento na presidência, pois tem plena convicção de sua inocência. Severino Cavalcanti (PP-PE) foi presidente da Câmara dos Deputados e, em 2005, renunciou ao cargo para evitar ser cassado sob a acusação de receber propina de dono do restaurante da Casa.

Tudo o que sabemos sobre:
Renan Calheiroslaranjas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.