Denúncias contra Jader aprofundam seu isolamento político

A divulgação pela revista Veja de um contrato que sugere que o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) era sócio do empresário José Osmar Borges, acusado de desviar R$ 133 milhões da Sudam, aprofundou o isolamento político do peemedebista, não só na base aliada, mas também no seu próprio partido. Até mesmo os correligionários do senador paraense evitaram fazer ontem qualquer defesa antecipada a seu favor. Ontem, Jader definiu sua estratégia. Ele resolveu ficar em silêncio durante todo o feriado da Páscoa. De acordo com um político aliado, ele revelou que irá fazer um forte discurso no plenário do Senado, para defender-se das acusações feitas pela revista. "Tenho provas de que toda a operação foi legal e não existe nenhum dinheiro público envolvido neste negócio", desabafou Jader Barbalho para um amigo. Ele também disse a esse mesmo interlocutor que tudo foi declarado no seu Imposto de Renda. Segundo a reportagem da revista, o registro de número 980001001 da Junta Comercial do Pará revela que o senador teria mantido durante dois anos - de 1996 a 1998 - uma sociedade oculta com Borges. O empresário foi denunciado pelo Ministério Público do Mato Grosso como sendo dono de seis empresas com projetos na Sudam e de três CPFs. O documento mostraria ainda a existência de cinco alterações contratuais, na compra da Agropecuária Campo Maior, dona de uma fazenda no Pará. Na primeira versão, os compradores seriam a Téxtil Saint Germany, de José Osmar Borges, e a atual mulher de Jader, Márcia Cristina Zaluth Centeno. Borges entrou no negócio com R$ 1,7 milhão e Márcia com apenas R$ 207. Numa das mudanças contratuais, Márcia teria transferido o valor de suas cotas para o irmão, Camilo Afonso, e por fim, Borges repassou sua parte para a Fazenda Rio Branco, que pertence a Jader. O presidente do Senado chegou a explicar a um interlocutor que precisou fazer o negócio com Borges porque na época estava separando-se de seu primeira mulher, a deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA). "Jader vai mostrar que tudo isso é uma perseguição contra ele", disse o líder do PMDB, na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). Procurado pelo Estado, Jader não retornou a ligação. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, não foi localizado.

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