Denúncia sobre propina reforça investigação do MP

A denúncia de que o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio teria pedido propina ao empresário Benjamin Steinbruch, durante processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, reforçará a investigação em curso no Ministério Público. Segundo o procurador da República Luiz Francisco de Souza, os fatos publicados pela revista Veja " tem tudo a ver" com o trabalho desenvolvido na procuradoria e servirá para abertura de novo processo contra o ex-diretor do BB.Os procuradores querem apurar mais detalhadamente o crescimento da fortuna pessoal de Ricardo Sérgio. De acordo com Luiz Francisco, "o que se verifica é uma explosão gigantesca de patrimônio e isso não tem explicação". Segundo o procurador, atualmente o trabalho do MP está sendo feito com base "em lei complementar que permite à Receita Federal obter extratos bancários referentes a dados que compõem a declaração de renda do investigado".?Mas o MP precisa de uma quebra de sigilo fiscal mais ampla. São denúncias gravíssimas que tratam da maior mineradora do mundo, do sistema Telebrás e dos fundos de pensão. São R$ 3 bilhões só da Vale do Rio Doce e R$ 22 bilhões da Telebrás, sem falar nos fundos de pensão que administram mais de R$ 100 bilhões", afirmou o procurador.PT vai requerer comissão de inquéritoO vice-líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), disse hoje que pretende apresentar um requerimento de CPI para investigar denúncias de corrupção contra Ricardo Sérgio de Oliveira, envolvendo os processos de privatização da empresa de mineração Vale do Rio Doce e do Sistema Telebrás.Segundo Pinheiro, o requerimento, que será avaliado na reunião da bancada da próxima terça-feira, não fará referência à atuação de Ricardo Sérgio como arrecadador de recursos nas últimas campanhas do senador José Serra (PSDB-SP), pré-candidato tucano à sucessão presidencial. ?Queremos ganhar de Serra nas urnas e não no tapetão?, afirmou Pinheiro.Ele defende o esclarecimento total das denúncias sobre eventuais favorecimentos na venda das duas maiores empresas estatais privatizadas no governo Fernando Henrique Cardoso. ?Uma CPI terá melhores condições do que o Ministério Público para descobrir se o Ricardo Sérgio usou a estrutura do Banco Central em benefício próprio ou tinha respaldo superior?, justificou.

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