Denúncia sobre filho de Dirceu. E ministro se queixa de frenesi

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse hoje que está havendo "um certo frenesi" sobre assuntos que podem ligar o ministro da Casa Civil, José Dirceu, a qualquer coisa irregular. Bastos estava se referindo à matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, afirmando que o filho de Dirceu, José Carlos Becker de Oliveira e Silva teria negociado a liberação de R$ 607 mil do Orçamento Federal, para obras em uma cidade no Paraná, onde é pré-candidato para disputar a prefeitura. Segundo o ministro, José Carlos está cumprindo um papel "absolutamente razoável". "Nada de tráfico de influência, nada de ilegal, nada de escondido, nada de ilícito. Tanto que está tudo isso no papel", disse o ministro. "O que ele (José Carlos) estava fazendo era um trabalho para ajudar as pessoas a conseguirem certos objetivos normais e legais. De modo que acho que aí está entrando muito um certo frenesi", disse o ministro. Na avaliação dele não há nenhuma imoralidade nesse caso. "O que há são pressuposições. As pessoas estão partindo de convicções para tentar provar essas convicções", disse. Segundo a matéria da Folha, documento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) elaborado pela Casa Civil em dezembro de 2003 para definir as emendas parlamentares que teriam recursos empenhados (comprometidos) no Orçamento lista cinco vezes José Carlos Becker de Oliveira e Silva, o Zeca Dirceu como o responsável pela negociação para liberar os recursos.Além disso, o Siafi (sistema de acompanhamento de gastos do governo) confirmou que pelo menos três das emendas atribuídas a Zeca foram empenhadas no Orçamento de 2003, com valor total de R$ 560 mil. No documento, o filho do ministro da Casa Civil é identificado pelas iniciais "JCB" (José Carlos Becker). É o único caso na lista em que a identificação, no campo destinado aos autores da emenda, é feita por iniciais.

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