'Denúncia provoca reavaliação do apoio do PSDB a Temer', diz secretário-geral

Silvio Torres afirma que 'o ambiente mudou' dentro do partido com acusação contra Temer

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2017 | 16h08

Principal interlocutor do governador Geraldo Alckmin na Executiva Nacional do PSDB, o deputado federal Silvio Torres, secretário - geral da legenda, avalia que o ambiente no PSDB em relação ao presidente Michel Temer mudou desde a reunião que decidiu no último dia 12 pela permanência dos tucanos no governo. "Essa mudança de posição do FHC (Fernando Henrique Cardoso) não é diferente de uma mudança que já está acontecendo no PSDB", disse ele ao Estado ao comentar o pedido do ex-presidente para que Temer renuncie ao cargo. Torres também defende uma mudança completa na composição Executiva Nacional tucana que se abra espaço para prefeitos e governadores, o que ampliaria a influência de Alckmin na cúpula partidária    

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende agora a renúncia de  Michel Temer e a antecipação das eleições. Foi uma surpresa no partido essa mudança de discurso?

Essa mudança de posição do FHC não é diferente de uma mudança que já está acontecendo no PSDB. O ambiente mudou (desde a reunião ampliada da executiva no dia 12). A denúncia provoca uma reavaliação. O Fernando Henrique, que é uma referência no partido, foi um dos que defendeu a permanência do PSDB no governo Temer. A justificativa era que precisávamos ficar no governo para avançar nas reformas. Ficou decidido então fazer um monitoramento permanente do governo para ver se Temer seria capaz de cumprir essa agenda.

O que mudou?

Nesse tempo, o presidente claramente perdeu força, e isso passa insegurança sobre a capacidade de cumprir a agenda (das reformas). Para se manter no poder, Temer pode fazer negociações que comprometam ainda mais a situação.  

Então nesse vai e vem do PSDB,  a posição de permanecer no governo não é mais majoritária?

Como a avaliação é permanente, uma nova posição amadureceu no PSDB. O apoio do partido está reavaliado.

Qual o prazo para essa decisão final sobre o desembarque?

Não há uma data definida. Pode ser antes, durante ou depois da denúncia. Mas nesse ritmo de perda de confiança, o quadro é quase irreversível.

É um constrangimento para o PSDB manter o  senador Aécio Neves na presidência do partido?

Vamos fazer uma reunião da Executiva Nacional. O tema principal será a realização de uma nova convenção nacional. É uma proposta consensual. A crise exige do PSDB definições claras. Além disso, estamos quase na pré-campanha  para 2018. Possíveis concorrentes já estão se posicionando. Questões fora da política envolvem membros do partido, e o Aécio é um deles. A posição dele como presidente limita a ação dele e do partido. O presidente interino do PSDB precisa ter uma autoridade conferida pelo partido. O mandato do Aécio, como o de todos os membros da executiva, foi prorrogado. A realidade nacional era outra quando a Executiva decidiu prorrogar até maio de 2018. Como faz para eleger uma nova Executiva Nacional em maio de 2018, às vésperas da eleição?

Qual é a sua proposta?

Cessar a prorrogação da atual Executiva Nacional e eleger uma nova até setembro ou outubro. A ideia é chegar até o final do ano, ou no máximo janeiro de 2018, com o nosso candidato à Presidência definido.

O que deve mudar na Executiva, que hoje é formada majoritariamente por integrantes do Congresso Nacional?

A Executiva hoje representa o resultado das eleições de 2014. Tem muitos parlamentares. Temos 6 governadores e elegemos prefeitos de capital em 2016. Elegemos no total 804 prefeitos ano passado. Governadores e prefeitos precisam estar representados formalmente na Executiva.

Essa configuração daria mais força para o Geraldo Alckmin no partido?

Tínhamos em tese três pré-candidatos:  Aécio, Serra e Alckmin. Essa realidade mudou do ano passado para cá. Hoje o Alckmin desponta como candidato favorito para representar o PSDB em 2018. 

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