Denúncia não tem data definida, diz Gurgel

Ao mesmo tempo em manifestou apoio à "Marcha contra a Corrupção", o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deixou em suspense a data em que denunciará à Justiça os envolvidos na Operação Caixa de Pandora. Essa operação da Polícia Federal (PF), de novembro de 2009, revelou um esquema de corrupção no Distrito Federal que tinha o então governador do DF José Roberto Arruda como um dos chefes.

ROSA COSTA, Agência Estado

06 de setembro de 2011 | 19h25

Havia favorecimentos a empresários, servidores e políticos com recursos provenientes do pagamento de propina em contratos públicos. A deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), que correu o risco de cassação, mas foi absolvida pela Câmara dos Deputados no último dia 30, por 265 votos a 166, foi uma das beneficiadas pelo esquema.

A marcha pretende levar manifestantes às ruas de cidades de todo o País amanhã, feriado de 7 de setembro, em protesto contra a corrupção. Para o procurador-geral, a manifestação popular é importante. "Acho que tudo que se faça no sentido de combater a corrupção é extremamente válido, extremamente importante. É preciso que a sociedade brasileira se conscientize que uma de suas pautas prioritárias deve ser sempre o combate à corrupção", alegou. No seu entender, "é preciso que a sociedade cada vez mais se anime dessa indignação contra a corrupção, para que isso possa repercutir nas casas legislativas".

Sobre os quase dois anos passados desde a operação Caixa de Pandora sem que haja nenhuma previsão de julgamento dos envolvidos, Roberto Gurgel atribuiu a demora à "complexidade do esquema criminoso". "Isso tem nos tomado muito mais tempo do que imaginarmos inicialmente. Mas estamos bastante adiantados na conclusão desse trabalho e espero oferecer a denúncia no menor prazo possível".

Ao contrário do que foi aventado, ele disse que tem provas contra o ex-governador José Roberto Arruda. "Nós estamos fazendo essa análise, mas temos elementos muito fortes em relação às pessoas envolvidas. A todas as pessoas envolvidas", declarou. Mas não quis fixar um prazo para concluiu o trabalho e apresentar as denúncias.

"Na verdade estamos trabalhando com empenho nisso. Eu não tenho ainda condições de fixar um prazo, mas faremos o possível para que seja no menor prazo", afirmou o procurador. A única sinalização de prazo dada pelo procurador, é que a denúncia ocorrerá antes das próximas eleições ao governo, em 2014. "É um esquema criminoso extremamente entrelaçado com muitos desdobramentos e isso tem nos dificultado". "Temos um pequeno grupo de procuradores o que também ocasiona uma demora maior. O MP sempre lida com essa dificuldade, temos um volume imenso de problemas para um número de pequeno de procuradores", alegou.

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