Denúncia derruba quatro da cúpula do governo de Yeda Crusius

Exoneração simultânea tenta acabar com crise política do governo tucano no Rio Grande do Sul

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 18h18

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), aceitou os pedidos de demissão do chefe da Casa Civil, Cezar Busatto (PPS), do secretário-geral de governo, Delson Martini (PSDB), do chefe do escritório do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, e do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nilson Nobre Bueno, neste sábado, 7.   Veja também:Gravação de conversa abre crise no governo Yeda, no RSDeputados do PT pedem saída de governadora do RSPP e PMDB rompem com chefe da Casa Civil do RS A exoneração simultânea de quatro colaboradores tenta acabar com a maior crise política da atual administração gaúcha. Gravações divulgadas na quarta-feira e na sexta-feira pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Detran, Fabiano Pereira (PT), comprometeram os secretários. A primeira mostrou dois envolvidos na fraude que desviou R$ 44 milhões da autarquia combinando um jeito de receber instruções de Martini para resolver um impasse que havia entre empresas que prestavam serviços superfaturados. A segunda mostrou Busatto tentando admitindo ao vice-governador Paulo Afonso Feijó (DEM) que partidos aliados do governo se financiavam em órgãos públicos. Além das gravações, a CPI recebeu cópia de uma carta que o empresário Lair Ferst, também acusado pela fraude no Detran, remeteu para Cavalcante se dizendo alvo de pessoas corruptas. O chefe do escritório de Brasília disse que não encaminhou o assunto para Yeda porque Ferst não apresentou provas. O caso de Bueno é o único que não tem relações com o Detran. O coronel responde a processo na Justiça Militar por recebimento irregular de diárias e promete apresentar a defesa no processo. Ao anunciar as exonerações, em entrevista coletiva, Yeda adiantou que a nova composição do governo será discutida na reunião do Conselho Político, com a participação de secretários e líderes de partidos aliados, na segunda-feira. A governadora também mostrou-se indignada com a comportamento de Feijó, que gravou e divulgou a conversa que comprometeu Busatto sem avisar ao chefe da Casa Civil. "A fala gravada não tem valor ético ou moral quando um sabe que está gravando e outro não sabe que está sendo gravado", afirmou Yeda, que rompeu com o vice ainda antes de assumir, no final de 2006. Na entrevista, Yeda respondeu a perguntas sobre trechos das gravações. A governadora admitia que, como deputada federal, cargo que exerceu até 2006, via o loteamento de cargos entre partidos acontecer e destacou que é autora de um projeto que proíbe o pagamento de dízimos pelos funcionários contratados em funções de confiança. "Como cortamos 30% dos CCS no Rio Grande do Sul, isso trouxe reações", afirmou. Yeda também demonstrou segurança ao falar sobre a pressão que sofre da oposição na CPI, na qual alguns deputados do PT chegaram a dizer que seu governo ruiu e que ela deve renunciar. "Quem sabe tenhamos ferido grandes interesses e é próprio de quem quer mudar pagar o preço".

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