Denúncia de superfaturamento é 'política', afirma Eduardo Campos

Suspeita de superfaturamento em contratos do governo de Pernambuco com a empresa Ideia Digital levou a Polícia Federal a pedir abertura de investigação

Angela Lacerda , Agência Estado

22 de julho de 2013 | 17h38

O governador de Pernambuco Eduardo Campos, possível candidato à Presidência da República pelo PSB, disse acreditar que há conotação política na suspeita de superfaturamento de contratos do seu governo com a empresa Ideia Digital, que levou a Polícia Federal a pedir abertura de investigação ao Ministério Público do Estado. A suspeita é de financiamento ilegal para campanhas do PSB, segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo 

Em Pernambuco, a Ideia Digital assinou contrato no valor de R$ 77,5 milhões para informatizar escolas no Estado, através de contratos realizados em 2011 e 2012.

"A primeira preocupação é de esclarecer e não desqualificar o que está sendo colocado, ter a atenção de responder à sociedade com tranquilidade e com presteza", afirmou ele, depois de explicar que nada foi provado em relação a Pernambuco. "Agora, ninguém aqui é inocente para achar que não tem interesse político", complementou para repetir "ninguém é inocente".

"A Polícia Federal não fala, não prova, não comprova absolutamente nada em relação a Pernambuco", afirmou em entrevista depois de participar de evento da 65ª Reunião da Sociedade Brasileira da Ciência e Tecnologia (SBPC), no campus da Universidade Federal de Pernambuco.

"O inquérito foi lido por advogados do Estado e por controladores de carreira que estavam dedicados a este trabalho por iniciativa do governo pernambucano", frisou. "Tudo o que cabia fazer, foi feito".

Retenção. Campos disse que a Ideia Digital presta serviços a diversos órgãos e que assim que surgiu a suspeita o governo acionou a Controladoria Geral do Estado e reteve os cerca de R$ 18 milhões que ainda não tinham sido pagos à empresa. A Controladoria conclui seu trabalho de investigação em um mês. O acesso ao inquérito da PF foi solicitado depois da divulgação da denúncia.

Indagado se a denúncia não respinga no PSB, devido à suspeita de envolvimento do seu correligionário - o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho - Campos afirmou que Coutinho é o maior interessado em esclarecer a questão e que nada foi comprovado em relação ao paraibano, que qualificou de "homem sério, honrado de vida pública combativa".

Os recursos foram do Ministério da Ciência & Tecnologia. Ministro na época dos contratos, em 2009, Sérgio Rezende afirmou não ter conhecimento do caso e se disse tranquilo. "Tudo que assinei teve parecer técnico e jurídico", afirmou. "Se houve algum problema foi com o executor".

O atual ministro da C&T, Marco Antonio Raupp, também presente à 65 reunião da SBPC, não quis falar com a imprensa.

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