Denúncia contra Mares Guia deve sair até segunda-feira

Após suspeita de integrar o mensalão mineiro, ministro acerta afastamento do cargo com o governo

Felipe Recondo, do Estadão

22 de novembro de 2007 | 13h37

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, apresenta nesta sexta-feira ou no início da próxima semana a denúncia contra o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Diante da notícia de que deve ser denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Mares Guia acertou seu afastamento do governo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.      Veja Também:   Mares Guia acerta afastamento do cargo com Lula     Os dois são suspeitos de integrar um esquema de desvio de recursos classificado pelo procurador como um "embrião" do mensalão petista e que teve a participação, inclusive, do empresário mineiro Marcos Valério. Essas irregularidades foram cometidas durante a campanha de Azeredo ao governo de Minas Gerais, em 1998.   Lula decidiu, no início do primeiro mandato, chamar Mares Guia para o Ministério do Turismo independentemente dessa suspeita. "Esse cidadão chega com um 'problemaço' para mim: Presidente, eu não posso nem pensar em aceitar, porque estou sendo acusado. Eu falei: e você cometeu o crime de que você está sendo acusado? 'Não'. Então, prove a sua inocência assumindo o Ministério do Turismo", relatou o presidente na cerimônia em que Mares Guia trocou o Tursimo pela pasta de Relações Institucionais, em março deste ano.   Um inquérito feito pela Polícia Federal indicou que Azeredo foi o principal beneficiário do desvio de dinheiro. Mares Guia é citado como um dos 36 envolvidos no caso. Nessa mesma investigação, a PF relatou que Mares Guia indicava políticos mineiros para receber recursos da campanha e contribuía para contratar empréstimos no Banco Rural, o mesmo usado pelo PT para irrigar o mensalão.   Mares Guia admitiu ter emprestado R$ 511 mil para que Azeredo pagasse dívidas de caixa 2 da campanha, mas negou reiteradas vezes ter cometido irregularidades.   A denúncia, se de fato for apresentada pelo procurador, ficará sob a relatoria do ministro do STF Joaquim Barbosa, que também relata a ação penal do mensalão petista. Para que uma ação seja aberta contra Azeredo e Mares Guia, os ministros do STF, por maioria, precisam acatar a denúncia.

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