Denúncia contra José Dirceu é 'peça de ficção', diz defesa

Advogado diz que não são citadas no processo quais são as acusações contra o ex-ministro

22 de agosto de 2007 | 14h41

"Peço que o direito de defesa de José Dirceu seja assegurado", disse o advogado do ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado, José Luis Mendes de Oliveira Lima, no início de seus argumentos no Supremo Tribunal Federal (STF), o primeiro advogado a se pronunciar. Ele teve quinze minutos para expor a defesa de Dirceu.   Veja também:  Provas foram obtidas 'por meio ilícito', diz advogado de Valério  'O que ele fez além de secretário do PT?', diz defesa de Pereira  Advogado diz que Delúbio é 'homem pobre' e rebate 'quadrilha'  Advogado de Genoino critica procurador em defesa no STF 'Sem governo, mensalão não existiria', diz procurador Denúncia não revela elo de Dirceu com mensalão, diz defesa Relator do mensalão não poupa acusados em apresentação STF nega pedido de Jefferson por julgamentos individuais STF inicia julgamento dos 40 acusados pelo mensalão Ministro do STJ defende fim do foro privilegiado a autoridades  Quem são os 40 do mensalão   Saiba como o STF vai examinar a denúncia do 'mensalão' Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram  Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão  Veja o flagra de Marinho      O advogado afirma que não há provas contra seu cliente e classificou a denúncia de "peça de ficção". Segundo Oliveira Lima, Dirceu teria lhe perguntado: "Do que estou sendo acusado?". E o advogado teria respondido: "Não sei". E continuou: "Confesso que estava ansioso para ouvir a tese da acusação. Queria entender para individualizar a conduta do Dirceu. Não ouvi nenhuma afirmação individualizada, mas sim, e vou ter que rebater todas as acusações vagas, sem conclusão", afirmou na defesa do ex-ministro.   O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.   O advogado afirmou ainda que Dirceu é um homem de 40 anos de vida pública "sem qualquer mácula, sem qualquer mancha". Oliveira Lima afirmou ainda que, apesar de seu cliente ser chamado de "chefe de uma organização criminosa", não são citadas quais seriam as condutas praticadas.   Também terão seus quinze minutos de atenção os criminalistas Alberto Zacharias Toron (João Paulo Cunha), Tales Castelo Branco (Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes Silveira) e Mário de Oliveira Filho (Henrique Pizzolato).   Além deles, participam da sustentação o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias (Vinícius Samarone, diretor do Banco Rural) e o ex-presidente da OAB de Minas Gerais Marcelo Leonardo (Marcos Valério e Simone Vasconcelos). Já José Roberto Leal de Carvalho, conhecido defensor do deputado Paulo Maluf (PP-SP), defende agora a causa de seu antípoda político, Luiz Gushiken (PT-SP).

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