Denúncia contra Azeredo contamina congresso do PSDB

Senador, ministro Mares Guia e mais 13 foram denunciados ao STF por participação no mensalão mineiro

CARMEN MUNARI, REUTERS

22 de novembro de 2007 | 17h54

A denúncia contra o senador tucano e ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, por suposto envolvimento no chamado mensalão mineiro, contaminou o Congresso Nacional do PSDB, no qual o partido apresentará o seu novo programa político.        Veja Também:       Entenda o mensalão mineiro    Mares Guia é denunciado por mensalão mineiro Confira a íntegra da denúncia    Veja quem são os 15 denunciados pelo mensalão mineiro    Denúncia é chance para comprovar inocência, diz Azeredo   Procuradoria pede julgamento separado de sócio de Valério Cotado para vaga, Múcio torce para que Mares Guia fique   Saída de Mares Guia não atrapalhará CPMF, diz Mantega Ao invés de falar dos projetos do partido, os tucanos tiveram que responder sobre a denúncia contra Azeredo, apresentada nesta quinta-feira ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por suposta participação em esquema de caixa 2 durante campanha eleitoral ao governo de Minas Gerais em 1998. O esquema irregular de financiamento da campanha à reeleição de Azeredo teria sido intermediado pela SMP&B, agência do publicitário Marcos Valério, o que foi identificado como a gênese do mensalão repetido no governo federal pelo PT. Os tucanos rejeitaram coincidência entre a denúncia contra Azeredo e o dia de abertura de seu congresso e deram um voto de confiança a Antonio Fernando de Souza, também autor da denúncia contra o mensalão do PT. "Confio plenamente na isenção e na honradez do procurador-geral da República. Ele pode, como todo ser humano, errar e acertar, mas ele erra e acerta sempre de boa fé", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).   'Culpa no cartório'           Enquanto a maioria dos tucanos saiu em defesa da inocência de Azeredo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não foi tão enfático e disse que o ex-governador tem que responder por seus atos. "Quem tem culpa no cartório, paga..Se houver culpa, o que vai fazer? Que assuma a responsabilidade", disse Fernando Henrique ao chegar ao congresso do PSDB. Fernando Henrique, no entanto, rejeitou comparação entre o valerioduto mineiro e o mensalão petista. "Mensalão é outra coisa" reagiu. "É o que o presidente Lula fez, e que consiste em gente receber dinheiro para ficar com o governo. Em Minas, é financiamento de campanha, que também é grave", ressaltou. O senador Sérgio Guerra (PE), que será conduzido à presidência do PSDB na sexta-feira, espera que Azeredo prove que não tinha envolvimento com o caso. "Acredito na inocência do senador e na palavra dele. Ele foi levado a se defender de forma concreta e absoluta e espero que o faça com muito sucesso." O atual presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), disse desconhecer a denúncia da procuradoria. "A denúncia foi feita hoje (quinta-feira), mas acredito que (Azeredo) terá todas as condições para se defender", afirmou. O ex-candidato tucano à presidência da República, Geraldo Alckmin, disse que o partido vai aguardar o teor da denúncia do procurador. "Certamente, o senador Eduardo Azeredo vai prestar todos os esclarecimentos. Não temos a menor dúvida que o senador não teve benefícios de natureza pessoal", disse Alckmin. O senador Azeredo divulgou nota descartando a existência de mensalão em Minas Gerais e disse que a representação será oportunidade para provar a sua inocência. "As questões financeiras envolvendo a campanha eleitoral de 1998 não foram de minha responsabilidade", afirma a nota. A denúncia também atingiu o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, que decidiu pedir afastamento temporário do governo para se defender.

Tudo o que sabemos sobre:
POLITICAAZEREDOPSDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.