Denúncia causa ruptura na base da tucana

Simon refuta acusações e informa que PMDB vai interpelar Feijó

Elder Ogliari e Sandra Hahn, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

A conversa do chefe da Casa Civil, Cezar Busatto, com o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó, deu munição à oposição e também provocou rupturas entre os apoiadores do governo de Yeda Crusius. Como num trecho do diálogo Busatto dá a entender que o PP e o PMDB se financiam no Detran e no Banrisul, os dois partidos reagiram com notas veementes, rompendo com o chefe da Casa Civil, que até a noite permanecia no cargo.De Brasília, o senador e presidente do PMDB no Rio Grande do Sul, Pedro Simon, refutou as acusações e anunciou que a assessoria jurídica do partido vai interpelar o chefe da Casa Civil e o vice-governador para que apontem "por quem, quando e quanto foi recebido em nome do PMDB, e quem do Banrisul pagou". Ele promete, com as informações, subsidiar ações civis e criminais contra os dois para reparar os danos causados ao partido. O presidente estadual do PP, Jerônimo Goergen, afirmou que não reconhece mais Busatto como interlocutor político.Em resposta à divulgação da conversa, Busatto acusou o vice-governador de "mau-caráter" e de "golpista" que quer o cargo de Yeda. O chefe da Casa Civil disse sentir-se vítima de uma "tocaia" e afirmou que foi mal interpretado nas referências que fez, no diálogo, a financiamentos de partidos com uso de estatais e autarquias. Ao abordar o financiamento de campanhas, alegou que se referia aos cargos ocupados na administração. Segundo seu raciocínio, estaria comentando sobre como "os cargos dessas instituições são repartidos e como isso se transforma, através desses cargos, em fontes de financiamento".Ele também alegou que o vice-governador falou na existência de "quadrilhas" em órgãos públicos desde 2003, mas não denunciou os casos anteriormente. "Por que agora tudo em cima da governadora Yeda?", argumentou Busatto. "Eu fui vítima de uma atitude baixa", declarou o chefe da Casa Civil. "O vice-governador Paulo Feijó é um golpista", acrescentou, dizendo que foi visitá-lo "em confiança" e ficou sabendo mais tarde que a conversa entre os dois fora gravada. O vice-governador divulgou nota na qual afirma que na conversa com Busatto sofreu forte assédio moral para se manter calado e adaptar-se a um sistema que aos olhos de todos os gaúchos é imoral e insustentável. "Não estou disposto a abrir mão de minhas convicções e do meu idealismo para corroborar com o que me foi apresentado."

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