Denúncia ao STF derruba ministro das Relações Institucionais

Exoneração de ministro será publicada no Diário Oficial desta 6ª; ele foi denunciado ao STF no mensalão mineiro

Tânia Monteiro, do Estadão,

22 de novembro de 2007 | 19h44

A denúncia do mensalão mineiro ao Supremo Tribunal Federal (STF) provocou a queda do ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, nesta quinta-feira, 22. O ministro será substituído pelo líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE).   Nesta sexta-feira, o Diário Oficial da União trará o ato com a exoneração, a pedido, de Mares Guia, informou a Presidência. Havia uma dúvida se a saída do ministro seria apenas um afastamento temporário ou uma exoneração. Também será publicado no D.O. a nomeação de Múcio como o novo ministro.   Veja Também:    Entenda o mensalão mineiro  Mares Guia pede afastamento e diz que acusação é 'injusta' Denúncia contra Azeredo contamina congresso do PSDB CPMF fica prejudicada com saída de Mares Guia, diz especialista Veja quem são os 15 denunciados pelo mensalão mineiro  Confira a íntegra da denúncia   Denúncia é chance para comprovar inocência, diz Azeredo  Procuradoria pede julgamento separado de sócio de Valério FHC não defende Azeredo e diz que 'quem tem culpa, paga'   Múcio foi considerado um substituto natural pelo governo, já que é do mesmo partido de Mares Guia e foi o responsável pela bem-sucedida coordenação da bancada do governo na votação da prorrogação da CPMF na Câmara. A primeira tarefa de Múcio será justamente tentar garantir ao governo uma nova vitória na CPMF, agora no plenário do Senado. A articulação com o Congresso é função da pasta das Relações Institucionais e Múcio tem bom trânsito nas duas Casas.   O novo ministro foi designado para o cargo no dia em que a bancada de seu partido no Senado decidiu sair do bloco de apoio ao governo e liberar os senadores para votar como quiserem na questão da CPMF. O substituto de José Múcio na liderança do governo na Câmara será o deputado Henrique Fontana (PT-RS), que ocupava a vice-liderança.   Denúncia   Mais cedo, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, havia protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF), denúncia contra Mares Guia por envolvimento no mensalão mineiro, suposto uso de caixa 2 na campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Azeredo e mais 13 também fazem parte da denúncia.   Na carta que entregou a Lula, Mares Guia, alega que precisa se defender da acusação, que classificou de "injusta e improcedente". "Isso ficará provado no curso do processo... Não quero, entretanto, que um assunto alheio ao seu governo cause qualquer embaraço à sua gestão e à importante agenda que Vossa Excelência tem para o país", diz trecho da carta.   O procurador-geral da República afirmou em entrevista coletiva que a denuncia é sobre o desvio de recursos públicos e sua utilização na campanha de Azeredo. No processo de 86 páginas, Mares Guia foi denunciado como co-autor por participar "dos autos que engendraram esse esquema de desvio de dinheiro", disse o procurador.   Antonio Fernando de Souza rejeitou o termo mensalão, mas acabou admitindo semelhanças e uma diferença fundamental. "Os indícios de uso de dinheiro público são tão claros quanto no esquema do mensalão, só que aqui, só há desvio de recursos públicos", assinalou.   (Com Reuters) 

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