Denúncia amplia 'clube' das construtoras investigadas na Lava Jato

Além das 16 empresas que se organizavam com regras para fatiar obras públicas, acusação formal aponta outros seis grupos com atuação esporádica

FAUSTO MACEDO, RICARDO BRANDT E JULIA AFFONSO, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2014 | 02h04

O Ministério Público Federal listou ao todo 22 empresas como participantes do cartel de empreiteiras formado para fraudar licitações, corromper agentes públicos e desviar recursos da Petrobrás. Os procuradores que fazem parte da força-tarefa da Lava Jato concluíram que 16 empresas se organizavam em uma espécie de "clube", com regras de "torneio", para fatiar obras públicas entre 2004 e 2012. Outras seis empresas atuariam esporadicamente no clube. Todas serão alvo de futuras denúncias criminais.

"A partir do ano de 2006, admitiu-se o ingresso de outras companhias no denominado clube, o qual passou a ser composto por 16 empresas", sustentam as cinco acusações formais contra 25 pessoas ligadas às seis primeiras denunciadas - Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior, Engevix, Galvão Engenharia e UTC Engenharia. "Algumas outras empresas de fora do clube ainda participaram e venceram de forma esporádica determinadas licitações na Petrobrás, mediante negociação com o 'clube'", dizem as denúncias.

Segundo o Ministério Público Federal, o clube das empreiteiras tinha outros grupos empresariais permanentes: as construtoras Odebrecht, Techint, Andrade Gutierrez, Promon, MPE, Setal-Sog, Skanska, Queiroz Galvão, Iesa e GDK. Os procuradores afirmaram na acusação formal que "algumas empresas de fora" participaram e "venceram de forma esporádica determinadas licitações na Petrobrás, mediante negociação com o 'clube'". Citam a Alusa, Fidens, Jaraguá Equipamentos, Tomé Engenharia, Construcap e Carioca Engenharia.

Dez (Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Construcap, Carioca Engenharia, Mendes Júnior e Techint) das 22 empresas estão entre as 25 maiores do segmento no País de acordo com o Ranking da Engenharia Brasileira divulgado pela revista O Empreiteiro. Em 2013, elas tiveram receita bruta somada de R$ 41 bilhões.

O esquema de lotear as obras públicas da Petrobrás já havia sido apontado pelos delatores da Lava Jato. Documentos que comprovam o clube das empreiteiras, porém, foram apreendidos na sede da Engevix, em Barueri (SP), segundo a Polícia Federal. As 16 empresas do clube já negaram irregularidades. A Alumini Engenharia (antiga Alusa) disse que "jamais participou de qualquer 'clube' para combinar preços ou dividir obras". A Carioca Engenharia disse que não foi notificada e não iria se pronunciar. Representantes da Fidens, Jaraguá Equipamentos, Tomé Engenharia e Construcap não foram localizados.

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