Denise confirma pressão de Dilma mas nega ter recebido ordem

A ex-diretora da Agência Nacional deAviação Civil (Anac), Denise Abreu, reiterou à Comissão deInfra-Estrutura do Senado que recebeu pressões por parte daministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no episódio da venda daVarig em 2006. Denise nega, no entanto, que essas pressõestenha significado ordens da ministra a serem cumpridas porela. "Eu simplesmente sou testemunha do que vivenciei naqualidade de diretora da Anac, algumas pressões que foramexercidas", disse Denise à comissão nesta quarta-feira. Depois, isentou Dilma de ter ordenado que acelerasse avenda da Varig, mas relatou ingerência e contestação. Asagências reguladoras são independentes, sem submissão aogoverno, são órgãos de Estado. "A ministra Dilma nunca me mandaria fazer nada, (mas) eufui fortemente pressionada, eu fui contestada sim." Denise argumenta que Dilma teria questionado as exigênciasrequeridas por ela, na condição de diretora da Anac, em relaçãoaos sócios da empresa Volo, interessada na época na compra daVarigLog. Por mais de uma vez, a ex-diretora disse que a CasaCivil acusou a agência de realizar obstáculos à venda. Ainda durante o depoimento, a oposição não se mostravaconfiante para pedir a realização de uma Comissão Parlamentarde Inquérito (CPI). "Quando as urnas fecharem em outubro e nós voltarmos paracá, aí sim é caso de CPI e o requerimento estará prontinho.Agora fica difícil, temos convenções partidárias, LDO (Lei deDiretrizes Orçamentárias), o recesso parlamentar e as eleições(municipais) pela frente", disse o líder do PSDB, ArthurVirgílio (AM). O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), líder da minoria,ironizou. "CPI para depois do fim do ano, isso não funciona. Emcima do calor às vezes já não dá em nada." A líder do PT, Ideli Salvatti (SC), questionou a falta deprovas, "Quem traz uma mala de documentos no mínimo apresentaum, ela não tem como provar." Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo, disse que não hácomo convocar a ministra Dilma. "Se alguém quiser convocar aministra Dilma, agora só por motivação política e eleitoral." EXTRAPOLANDO Denise Abreu relatou à comissão, onde começou a depor às10h40, que fez três demandas, entre elas pedido de cópia dedeclaração do Imposto de Renda dos três sócios brasileiros. "Disseram (na Casa Civil) que eu estava extrapolando porqueImposto de Renda não demonstra a capacidade financeirapessoal", disse. Também foi questionado o pedido de que o Banco Centralfornecesse informações sobre a entrada dos recursos do sócionorte-americano, o fundo Matlin Patterson. Ela disse que cobrouainda a apresentação de um "contrato de mútuo", contrato entreos interessados na Varig. Denise disse que Dilma, que já negou as acusações, teriaafirmado que as exigências não estavam na lei ao que aex-diretora da Anac afirmou ter respondido que a lei é questãode interpretação e que ao capital estrangeiro só é possívelingressar com 20 por cento em uma empresa aérea. Reuniões da diretoria da Anac sobre a Varig aconteciam naCasa Civil, eram demoradas e levavam até nove horas, segundoDenise. "Éramos muito questionados nessas reuniões. Uma delas, denove horas, chegou a ser uma sabatina", disse. "Éramos tratadoscom truculência." Denise também voltou a acusar o advogado Roberto Teixeira,amigo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva econtratado pelos compradores da Varig, de efetuar tráfico deinfluência junto ao governo para beneficiar a empresa. A VarigLog, empresa de cargas, foi vendida pela Varig emjaneiro de 2006 a uma sociedade entre o fundo norte-americano etrês empresários brasileiros. Seis meses depois, a VarigLogcomprou a própria Varig por 24 milhões de dólares e em março de2007, a Gol adquiriu a empresa por 320 milhões de dólares. Denise levou à sala da comissão uma mala de viagem comdocumentos, para a qual teria pedido segurança reforçada doSenado. Citou inúmeras vezes reportagens da imprensa sobre avenda da Varig como documentos que teria trazido e por ondeteria se informado sobre detalhes do caso. Depois de procurar dirigentes do PSDB, entre eles opresidente do partido, senador Sérgio Guerra, Denise afirmouque seu advogado recomendou que ela fizesse as denúncias contraa Casa Civil diretamente à imprensa, o que resultou em matériapublicada pelo jornal O Estado de S.Paulo em 4 de junho. Denise Abreu esteve à frente da Anac entre 2006 e agosto de2007, quando deixou a agência sob acusação de ter sidoresponsável pela crise aérea.(Reportagem de Carmen Munari)

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