Denise Abreu diz ter provas contra a Casa Civil

A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu reiterou hoje, em entrevista à Rede Eldorado, que foi pressionada pela ministra Dilma Roussef e pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a tomar decisões favoráveis à venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano Matlin Patterson. Abreu confirmou a entrevista que deu com exclusividade ao jornal O Estado de S.Paulo e disse ter provas documentais das acusações que fez."Todo o processo da VarigLog está conosco e mostra a seqüência dos procedimentos adotados na Anac", disse ela à Rede Eldorado, destacando que tem os ofícios que expediu, requisitando a origem de capital e a declaração de renda dos sócios brasileiros (Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo), e todos os outros documentos decorrentes do procedimento que correu dentro da Anac neste caso, que, na sua avaliação, teve como conseqüência final o benefício ao fundo americano Matlin Patterson.Questionada se tinha conhecimento de alguém que recebeu algum tipo de pagamento para resolver o problema da Varig, ela afirmou: "Desconheço quem tenha recebido qualquer tipo de benefício econômico, até porque eu não participei de nenhuma negociação que perpassasse por qualquer tipo de favorecimento." E voltou a falar da ingerência da Casa Civil sobre a Anac: "Participávamos de reuniões técnicas, na Casa Civil, com um tipo de ingerência do poder central que é o governo sobre uma agência reguladora, que deveria ter autonomia absoluta nas suas decisões para bem regular o mercado."Na entrevista à Rede Eldorado, Denise Abreu disse que resolveu se manifestar agora sobre o assunto porque o momento coincidiu com o período de recuperação, inclusive física, que teve após sua renúncia da Anac. "Em decorrência de todo o estresse acabei tendo problemas na vesícula, com 93 pedras que acabaram sendo extraídas em caráter de urgência, no final do ano". A recupeação "coincidiu com o período em que a imprensa voltou a me procurar exatamente com esta pauta e eu resolvi dar o pronunciamento", disse Abreu.''Absoluta convicção''A ex-diretora da Anac disse que jamais iria se manifestar sobre este imbróglio se não tivesse "absoluta convicção" de tudo. "Acho que vão tentar desqualificar minha fala para fazer com que a população não acredite nas revelações feitas, mas estamos absolutamente preparados porque não haveria cabimento de eu me manifestar se não tivesse absoluta convicção do que eu afirmei." Ela disse também confiar "plenamente na Justiça deste País", numa referência à determinação do juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara de São Paulo, que no processo de dissolução societária viu prática de ilícitos e pediu ao Ministério Público e Polícia Federal que investiguem o assunto.Ainda na entrevista à Rede Eldorado, indagada se recebeu algum tipo de recomendação para que não falasse nada sobre este assunto, na época em que ainda era diretora da Anac, ela retrucou: "Nunca recebi ordem que me proibisse de comentar a respeito da venda da Varig, até porque não tenho perfil para receber esse tipo de ordem." A ex-diretora da Anac também negou que tivesse recebido qualquer pedido do ex-ministro chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu. "Nunca recebi telefonema dele e ele nunca me telefonou na Anac para pedir absolutamente nada."

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