Dengue ´importada´ por São Paulo cresce 19% em 2 dias

O número de casos importados de dengue na cidade de São Paulo aumentou 19% em dois dias. De 379 para 451. O índice de casos autóctones da doença - contraídos no próprio município - também aumentou: passou de 10 para 11. O novo caso foi registrado em Vila Medeiros, na zona norte.Para o superintendente de Controle de Endemias (Sucen), Luiz Jacintho da Silva, embora tenha havido um crescimento do número de casos importados, a situação em São Paulo está melhor do que se imaginava há alguns meses."A cidade sofre uma pressão terrível para que haja um aumento de transmissão. Até agora, vem reagindo bem. Mas é certo que em algum momento esse número deverá aumentar."A informação de que a morte da professora Rita de Cássia Sanches, de Cordeirópolis, não foi provocada por dengue, não alterou os dados epidemiológicos do Estado. O caso da professora não havia sido incluído nas estatísticas da Sucen. Jacintho da Silva explicou que, embora o atestado de óbito da professora atribuísse a morte à dengue, exames não confirmaram o diagnóstico."Ela pode ter morrido com dengue, mas não da dengue", diz. Segundo ele, no exame de sangue da paciente não foi notada a diminuição das plaquetas, uma das reações comuns em pessoas com dengue hemorrágica. Além disso, exames feitos com fragmentos do fígado da professora mostram que o órgão estava intacto. "O que é muito incomum entre pacientes com dengue hemorrágica."A divulgação do caso, antes de um laudo, foi precipitada. "O fato de termos descartado a hipótese de morte por dengue hemorrágica não traz conseqüências de saúde pública" diz Jacintho. "O importante é que o caso foi detectado, fizemos bloqueio e não houve mais transmissão na cidade."O superintendente da Sucen diz que faz um balanço positivo do comportamento da epidemia no Estado. "Por enquanto, conseguimos manter a doença em algumas cidades. Temos um número elevado de casos, mas a situação ainda não saiu do controle", disse. "Esperamos que a lição deste ano tenha sido aprendida e que o trabalho preventivo não seja interrompido tão logo o inverno chegue."O médico especialista em economia da saúde, Marcos Bosi, acredita que agora, com o impacto econômico do tratamento de pacientes, haja um reconhecimento maior da importância dos trabalhos de prevenção. "É um comportamento comum querer economizar com a prevenção em saúde. Isso ocorre em todas as áreas", diz. "Mas a falta de empenho dos últimos anos hoje provoca prejuízos enormes." Além dos gastos com tratamento direto dos pacientes, é preciso lembrar dos prejuízos provocados pela falta ao trabalho e à escola. "Um gasto perfeitamente evitável."

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