Demóstenes volta ao plenário e diz ser 'a bola da vez'

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) voltou na tarde desta terça ao plenário para fazer seu segundo discurso na tentativa de evitar a cassação por conta das acusações de ter usado o mandato parlamentar para defender interesses do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Em um pronunciamento de 15 minutos, totalmente lido, Demóstenes reafirmou que é inocente e disse que se tornou a "bola da vez".

RICARDO BRITO, Agência Estado

03 de julho de 2012 | 17h42

"Hoje eu sou a bola da vez. Se a tramoia der certo comigo e me amputar o mandato, daqui a pouco pode se repetir com outra vítima, um outro senador. É preocupante o precedente de tentar cassar um senador com base em provas ilegais", afirmou Demóstenes, para um plateia de apenas sete senadores em plenário. Na segunda-feira, no seu discurso de estreia da série, somente cinco parlamentares o ouviram romper o silêncio de mais de 100 dias em plenário.

Demóstenes disse que foram editadas e montadas pela Polícia Federal as escutas telefônicas em que apareceram suas conversas com Cachoeira. O senador questionou o fato de ter sido negado a ele direito a realizar perícias para comprovar o que fala. Para ele, o Senado certamente não se curvará a essa tática de campanha de escolher "um parlamentar como alvo e só sossega quando aparece outro na mira".

"Perícia não é uma modalidade de enrolação da defesa, não é uma filigrana para postergar julgamento. Perícia é uma ciência a serviço da Justiça", disse ele, ressaltando que foi investigado ilegalmente com o uso de "tecnologia de ponta". "Para me punir estão sendo usados métodos medievais. Existir bode expiatório é indigno do Senado da República", completou.

Mais uma vez, o senador goiano criticou o que chama de "tira hermeneuta", os agentes da PF responsáveis por fazer a transcrição das conversas grampeadas e verificar indícios de crimes praticados pelos interlocutores. "O tira hermeneuta, de propósito, só colocou no papel o que julgou conveniente para a campanha de demolição da minha honra", disse.

Demóstenes apelou aos pares. "Aqui estamos entre os melhores hermeneutas do País: os senadores da República. E, se entre nós a análise for puramente política, poderei ser crucificado ou enaltecido. É nesse sentido lato sensu que peço para me julgarem pelo que fiz. Não posso ser responsabilizado por interpretações dissociadas da realidade fática", afirmou.

Assim como na segunda-feira, o senador deixou o plenário ao fim do pronunciamento. Na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) decidirá se a tramitação do processo de Demóstenes não violou qualquer preceito legal.

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