Andre Dusek/AE
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Demóstenes pede desfiliação do DEM

Decisão foi tomada após abertura de um processo do DEM que poderia levar à expulsão do senador

estadão.com.br,

03 de abril de 2012 | 12h09

SÃO PAULO - Suspeito por envolvimento em esquema de exploração de jogos de azar, o senador Demóstenes Torres (GO) pediu nesta terça-feira, 3, o seu desligamento partidário do DEM, segundo informou a assessoria de imprensa do presidente da legenda, o senador José Agripino Maia (RN). "Embora discordando frontalmente da afirmação de que eu tenha me desviado reiteradamente do Programa Partidário, mas diante do pré-julgamento público que o partido fez, comunico a minha desfiliação do Democratas", disse em carta assinada pelo senador e entregue ao presidente da legenda, senador Agripino Maia (RN).

O pedido foi divulgado logo após o DEM anunciar a abertura de um processo para investigar as ligações do senador com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela PF durante a operação Monte Carlo, deflagrada no ano passado. Com o desligamento do partido, o senador ainda corre o risco de perder seus direitos políticos até o dia da resposta ao processo no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar - pedido pelo PSOL. Se tiver o mandato cassado, Demóstenes perde, consequentemente, os direitos políticos, barrado pela Lei da Ficha Limpa.

O DEM argumentava a expulsão do senador devido aos seus "reiterados desvios éticos". Demóstenes já havia sido convocado para prestar esclarecimentos ao partido e também ao Senado, mas o senador afirmou que precisava de mais tempo para analisar o inquérito ao qual terá de responder ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A renúncia já havia sido cobrada pelo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante. Segundo ele, Demóstenes vivia uma situação "mortal" para um político e não tinha saída, além da imediata renúncia ao mandato, considerada por ele uma "atitude moral".

Cassação. Na semana passada, o PSOL foi ao Conselho de Ética do Senado pedir a cassação do mandato de Demóstenes por quebra de decoro parlamentar. O partido alegava que as denúncias nas quais o senador está envolvido constituem "indícios da prática de atividades ilícitas", desprestigiam tanto a Casa como seus integrantes, além de manchar ainda mais a imagem do Poder Legislativo.

O comando do colegiado é ocupado de forma interina pelo vice-presidente, senador Jayme Campos (DEM-MT), que se declarou impedido de analisar o caso. Campos disse que não se sentirá constrangido se tiver de presidir o processo contra o colega. "Se for escolhido, me sentirei com autoridade para fazer o trabalho." A investigação do Conselho de Ética poderá resultar - depois de análise do relatório do conselho pelo plenário - na cassação do mandato de Demóstenes Torres.

Haverá uma eleição para definição do novo presidente do órgão no dia 10 de abril.

Caso. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) foi envolvido em denúncias de corrupção por sua ligação com Carlinhos Cachoeira. Alvo de grampos telefônicos em que demonstra intimidade com Cachoeira, a quem chegou a chamar de "professor", Demóstenes complicou-se ao tentar explicar as relações com o chefe de esquema de jogos de azar investigado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro em Goiânia. A operação investigou um esquema de exploração de máquinas caça-níqueis. As investigações da polícia demonstraram que Cachoeira teve contatos com vários políticos de Goiás, entre eles com Demóstenes Torres. O parlamentar também recebeu presentes de Carlinhos Cachoeira.

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