Demóstenes diz que 'espião desviado' pode ter feito grampo

Senador descarta ação institucional do órgão; ele depôs por duas horas à polícia sobre escuta ilegal no STF

Eugênia Lopes, da Agência Estado,

04 de setembro de 2008 | 12h23

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) conclui seu depoimento de mais de duas horas para a Polícia Federal sobre o episódio do grampo telefônico que captou sua conversa com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Medes. Segundo ele, a PF tem a mesma linha de cogitação do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, que levantou a hipótese de a escuta clandestina ter sido feita isoladamente por um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), sem se caracterizar como uma ação institucional. "O foco principal é a possibilidade inicial de ter sido algum espião desviado de suas funções na Abin", disse o senador.   Veja Também: CPI dos Grampos convoca Jobim e diretores da Abin e PF Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos  Veja como foi o depoimento do diretor à CPI  Diretor afastado admite que 'maleta' da Abin pode fazer grampo Especial explica a Operação Satiagraha  Multimídia: As prisões de Daniel Dantas  Lula manda investigar compra de 'maleta de grampo' na Abin Crise acirra disputa entre Polícia Federal e Abin   No depoimento, feito ao delegado da Polícia Federal Wiliam Morad, o senador disse que, em sua opinião, o mais provável é que o monitoramento telefônico indevido tenha sido feito no telefone do ministro Gilmar Mendes. Demóstenes disse ainda que a polícia do Senado já fez uma varredura nos telefones da Casa e não encontrou nada.   Neste momento, peritos da PF, que acabaram de vistoriar os telefones do gabinete do senador, estão na central de telefonia do Senado para fazer uma perícia. "É mais fácil que o grampo tenha sido feito no celular do ministro Gilmar. É muito mais difícil um grampo aqui no Senado", disse Demóstenes.   O senador contou ainda que os policiais não mencionaram o nome do banqueiro Daniel Dantas, sócio do banco Opportunity e um dos presos na Operação Satiagraha, mas "disseram que não se pode descartar que empresas de telefonia e outras pessoas tenham atuado clandestinamente".

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