Demóstenes apresenta sua defesa no Conselho de Ética do Senado

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido) apresenta na manhã desta terça-feira, 29, ao Conselho de Ética do Senado sua defesa no processo por quebra de decoro parlamentar por suspeitas de envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira. O depoimento está marcado para às 9h30.

estadão.com.br,

29 de maio de 2012 | 08h28

Demóstenes nega ter conhecimento sobre os negócios do contraventor e deve reafirmar essa tese em seu depoimento. Em sua defesa, ele deve destacar sua biografia técnica, contribuições nas comissões temáticas, evitando declarações polêmicas. O senador pretende, ainda, ressaltar os votos obtidos em Goiás.

Escutas telefônicas da Polícia Federal, no entanto, mostram a preocupação do senador em esconder sua relação com a Delta Construções. Segundo a PF, o parlamentar era uma espécie de "sócio oculto" da empresa. Em 8 de maio de 2011, o senador liga para Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e menciona uma possível doação legal que teria recebido da empreiteira nas eleições de 2010 e demonstra estranhamento e preocupação. A conversa ocorreu durante uma crise envolvendo a empreiteira após reportagem da revista Veja, que abordava contratos de consultoria da Delta Construções com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT).

Na semana passada, as duas testemunhas de defesa do senador desistiram de prestar esclarecimentos ao Conselho de Ética. Eram esperados o advogado Ruy Cruvinel e Carlinhos Cachoeira, mas os advogados de defesa dos dois consideraram que a participação poderia produzir provas contra os clientes, ambos alvos de processos judiciais.

Depois de falar ao Conselho de Ética, Demóstenes é aguardado na sessão da CPI do Cachoeira desta quinta-feira, 31. Antes, a CPI deve decidir se quebra o sigilo da Delta, empresa ligada a Cachoeira, e se convoca os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT); e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

A convocação dos governadores tem sido motivo de polêmica nas últimas semanas. O assunto só seria posto em análise no dia 5 de junho mas, diante da pressão de alguns dos integrantes da comissão, o presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB) antecipou a decisão para esta terça, contando com o apoio dos parlamentares do PMDB, PT e PSDB. Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pedro Taques (PDT-MT) e Kátia Abreu (PSD-TO) e os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ) e Sílvio Costa (PTB-PE), por sua vez, protestaram, pois queriam que os requerimentos para as convocações tivessem sido apreciados na quinta-feira, 24./COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA ESTADO

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