Demóstenes admite que Cachoeira pagava seu celular

Atualizado às 15h44

RICARDO BRITO, Agência Estado

29 de maio de 2012 | 14h23

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) admitiu nesta terça-feira, ao Conselho de Ética, que o contraventor Carlinhos Cachoeira pagava a conta do aparelho Nextel que ganhou dele e no qual conversavam. O depoimento e os questionamentos duraram aproximadamente cinco horas. 

Ao responder a pergunta do relator Humberto Costa (PT-PE), Demóstenes disse que era Cachoeira quem pagava a conta, "R$ 50, R$ 30 por mês".

O senador afirmou que não aceitou o aparelho de presente do contraventor para escapar de ter suas conversas interceptadas. "Não aceitei o aparelho porque ele não podia ser grampeado", disse o senador, ao ressaltar que, desde 1999, quando era secretário de Segurança Pública de Goiás, sabia que qualquer telefone ou rádio é passível de ser grampeado.

Ao relator, Demóstenes disse que não soube precisar quando ganhou o aparelho de presente do contraventor. Durante todo o depoimento, que dura mais de três horas, o senador fez questão de falar que é amigo de Cachoeira, mas acreditava que ele, até a Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal no final de fevereiro, era apenas empresário e não tinha negócios ilícitos.

Questionado se seria "estranho" ganhar o Nextel, o senador disse que não achou, "porque falava em qualquer lugar". "Hoje, eu jamais faria isso", observou ele. Demóstenes disse que logo após a prisão de Cachoeira devolveu "imediatamente" o aparelho para a esposa do contraventor, Andressa Mendonça.

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