Pedro Ladeira/AFP
Pedro Ladeira/AFP

Demóstenes admite amizade com Cachoeira e se diz 'vítima de maldade'

Parlamentar apresenta defesa ao Senado, mas nega relações criminosas com o contraventor

estadão.com.br

29 Maio 2012 | 11h22

O senador Demóstenes Torres (sem partido/GO) se disse "vítima da maldade" ao depor ao Conselho de Ética do Senado nesta terça-feira, 29, no processo por quebra de decoro parlamentar por suspeitas de envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

 

Na apresentação de sua defesa, Demóstenes confirmou que conhecia Cachoeira, mas voltou a negar ter conhecimento sobre os negócios do contraventor. "Eu me relacionava com empresário que também se relacionava com cinco governadores. Todas as pessoas diziam que ele tinha vida social. (...) Eu tinha amizade sim com ele (Cachoeira)", diz Demóstenes.

 

O senador julgou-se vítima do vazamento de informações das investigações da Polícia Federal em torno da organização de Cachoeira. "Tudo o que é divulgado foi feito com maledicência.

 

Ele diz que passa pelo "pior momento" da sua vida e que pensou até em renunciar ao mandato. O parlamentar ainda disse que está com depressão, toma remédios para dormir, sem sucesso, e tem visto o distanciamento de amigos desde o final de fevereiro.

 

Ainda em sua defesa, o senador fez questão de apontar seu trabalho legislativo. Destacou que relatou cerca de 1,3 mil processos e apresentou 200 propostas no Senado. Entre elas, destacou ter relatado o Estatuto do Idoso, a Lei da Ficha Limpa e a Lei de Acesso aos Documentos Públicos.

 

Reiterando que não têm relações criminosas com Cachoeira, Demóstenes disse que os vazamento têm o intuito de "enxovalhar a sua reputação". "Muita coisa que foi divulgada é desmentida pelos próprios áudios", argumentou o parlamentar.

 

Escutas telefônicas da Polícia Federal, no entanto, mostram a preocupação do senador em esconder sua relação com a Delta Construções, empresa com ligações com Cachoeira. Segundo as autoridades, o parlamentar era uma espécie de "sócio oculto" da empresa.

 

Em 8 de maio de 2011, o senador liga para o contraventor e menciona uma possível doação legal que teria recebido da empreiteira nas eleições de 2010 e demonstra estranhamento e preocupação. A conversa ocorreu durante uma crise envolvendo a empreiteira após reportagem da revista Veja, que abordava contratos de consultoria da Delta Construções com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT).

 

Depois de falar ao Conselho de Ética, Demóstenes é aguardado na sessão da CPI do Cachoeira desta quinta-feira, 31.

 

Com informações de Ricardo Brito, da Agência Estado

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