Demora em Alagoas pode atrasar perícia nos papéis de Renan

Órgãos públicos, segundo a PF, estariam retardando entrega de documentos relevantes na investigação

Vannildo Mendes, do Estadão,

26 de julho de 2007 | 22h22

A falta de agilidade dos órgãos públicos de Alagoas em fornecer informações pode impedir a Polícia Federal de concluir o laudo nos documentos do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em 20 dias. O prazo foi combinado com o Conselho de Ética do Senado, onde o parlamentar responde a processo de quebra de decoro, sob a acusação de ter despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior.  A entrega de documentos relevantes, conforme a PF, estaria sendo retardada por órgãos públicos alagoanos. O maior volume de documentos em falta é devido pelas secretarias de Finanças e de Agricultura, controladas por aliados de Renan até a deflagração da Operação Navalha, que apura fraudes em licitações, quando alguns deles foram presos. O governo alagoano alega que vem dando total colaboração às investigações, além de ter demitido os envolvidos com a quadrilha. O Instituto Nacional de Criminalística (INC), responsável pela perícia, comunicará ao conselho nesta sexta-feira, 27, que a ausência desse material poderá atrasar o laudo ou comprometer sua qualidade se a decisão for continuar o trabalho mesmo assim.  Nesse caso, alguns quesitos relevantes do Conselho poderão não ser respondidos. Ao todo, foram formulados 30 quesitos sobre a evolução patrimonial de Renan, suas rendas agropecuárias e a autenticidade dos documentos com que ele tenta justificar a origem dos recursos usados no pagamento da pensão que pagava à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. Recibos do irmão Segundo os técnicos do INC, os documentos a serem periciados estão chegando pingados e ainda falta quantidade considerável de papéis prometidos pelo conselho. Nesta quinta-feira, com considerável atraso, chegou o material requisitado há duas semanas à Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Adeal), que faz o controle de zoonoses no rebanho alagoano. Entre os documentos estão atestados de vacina e Guias de Trânsito de Animais (GTAs), que precisam ser cruzados com os outros dados. Chegaram também recibos e documentos com os quais o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão de Renan, tenta comprovar que foi um dos compradores do gado. O outro grande comprador teria sido o matadouro frigorífico Mafrial, que no entanto não anexou notas fiscais próprias, mas de um conjunto de empresas fantasmas ou irregulares, algumas de fundo de quintal, usadas pela empresa. Outros oito supostos grandes compradores do gado de Renan ou não foram encontrados ou não mandaram a documentação das operações. Tanto pelos documentos que faltam, como pelos já entregues, a situação de Renan torna-se cada vez mais complicada. A perícia é aguarda pelo conselho para julgar o processo, que pode resultar na cassação do senador e na suspensão dos seus direitos políticos por oito anos. Além do primeiro lote de documentos, entregue na semana passada pelo Conselho, a PF recebeu um segundo, com material de defesa anexado por Renan na última segunda-feira. Do terceiro e mais importante lote, só chegaram documentos da Adeal e os recibos de Olavo, denunciado pela Procuradoria-Geral da República como beneficiário de dinheiro e vantagens recebidos do empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, pivô da máfia das obras públicas.

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