Democratas defendem Serra à frente da oposição para 2010

Presidente nacional do DEM ainda sinalizou que deve insistir na aliança com o PMDB

Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2009 | 15h56

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM-SP), e o presidente nacional do Democratas, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), defenderam neste sábado, 17, o nome do governador paulista, José Serra (PSDB), para liderar a aliança de oposição à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2010. Apesar de não citarem diretamente o governador como candidato à presidência da República, ambos sinalizaram que Serra seria o nome apoiado por uma frente que contaria ainda com o PPS, entre outros partidos. A intenção é ter o PMDB como aliado em 2010. A aliança com Serra em São Paulo foi citada como exemplo. "Se o Serra sair candidato a presidente, continuaremos a aliança em São Paulo e teremos o governador como coordenador desse entendimento", disse Kassab, que participa, ao lado de Maia, em Ribeirão Preto (SP), de um encontro regional do DEM. Maia afirmou que o exemplo da aliança entre DEM e PSDB em São Paulo norteia a atuação nacional dos Democratas e, "a partir de 2011, se possível com a liderança do governador Serra, também estará em todo País", disse. O presidente nacional do DEM sinalizou ainda que deve insistir em ter o PMDB como aliado em 2010, com uma defesa enfática da candidatura de peemedebistas para as presidências da Câmara e do Senado, já que o partido tem o maior número de parlamentares em ambas as Casas. "O partido (DEM) respeita a proporcionalidade e cabe ao PMDB a presidência da Câmara e do Senado. Nós o apoiamos e estamos trabalhando para que o deputado Michel Temer (PMDB-SP) seja o presidente da Câmara dos Deputados, pois é o nome que neste momento de crise pode dar um ponto de equilíbrio ao Congresso e ainda colaborar com o governo federal", disse o deputado. Maia criticou as declarações do atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), dadas na quinta-feira (15), que praticamente condicionou o apoio a Temer dos deputados do PT à desistência do PMDB da presidência do Senado. "Há dois anos essa condicionalidade não existia para elegê-lo (Chinaglia) presidente da Câmara e entendemos que a urna é importante e o resultado que saiu é com o PMDB em uma Casa e na outra", disse."Aliás, se o PMDB do Senado abrir mão da presidência, temos o Democratas como segundo (maior) partido, o PSDB como o terceiro e o PT apenas como o quarto. Não acho que essa vinculação seja boa para o Congresso". Maia e Kassab adotaram discursos diferentes ao falarem sobre os impactos da crise econômica. O prefeito paulistano, mais cauteloso, reafirmou, sem citar valores, que "São Paulo vai dar o exemplo promovendo a redução no custeio, com reavaliação nos contratos e enxugar ao máximo os cargos de confiança". Já Maia abriu fogo contra o governo federal e criticou o efeito das medidas tomadas contra a crise, as quais não evitaram demissões. "As medidas foram sem planejamento, sem estratégia e, por isso,tiveram pouco impacto. Até porque não dá para esperar de empresário algum compromisso que não seja a rentabilidade", disse. "O presidente Lula sonhou com uma marola e o ministro do Trabalho (Carlos Lupi) acreditou", disse.

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