Demitir companheiros é ?desagradável e doloroso?, diz Lula

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, garantiu ontem que a reforma ministerial será mesmo feita em uma única etapa. Ele afastou a hipótese de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazer novas alterações em abril, por conta da eventual saída de integrantes da equipe para disputar as eleições municipais. ?Nenhum ministro vai se candidatar?, assegurou. Dirceu explicou que preparou vários cenários para a reforma, depois de reuniões com os partidos aliados. Agora, disse, todos já estão com Lula, que terá de resolver se faz apenas trocas de ministros, para acomodar o PMDB, ou se mexe na estrutura administrativa do governo. ?O presidente tem todos os elementos para tomar a decisão. É uma questão que está agora nas mãos do presidente.? Mas no almoço ontem com Dirceu e o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), Lula afirmou que não é fácil demitir companheiros. Num desabafo, contou que estava enfrentando dificuldades, pois considera ?desagradável e doloroso? demitir velhos companheiros. ?Mas a gente sempre toma a decisão final visando ao interesse público. Às vezes dói, mas a gente faz assim mesmo?, disse. A situação do PMDB é praticamente certa: passará a ocupar as Comunicações e a Previdência. A grande incógnita é quem ocupará o superministério da área social. O nome mais cotado ainda é o do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini. A data do anúncio da reforma ainda não foi fixada. Segundo Dirceu, Lula preferiu não estabelecer prazos, para não ficar na obrigação de cumpri-los. ?E o presidente quer fazer uma reforma de maneira tranqüila.? NegociaçõesO ministro reconheceu que, apesar de encerradas, as conversas com os partidos podem ser retomadas, se necessárias. ?O presidente tem todas as condições agora para tomar uma decisão ou fazer contrapropostas. As negociações não terminaram porque, se o presidente fizer uma contraproposta, tomar outra decisão, terei de voltar aos partidos.? Ele contou que o PTB e o PP deixaram o governo à vontade para definir seu espaço no governo. O PP quer um ministério por seu apoio, mas só ganhará uma estatal. O PTB manterá a cota, com o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia. Lula pode fazer apenas substituições de auxiliares ou aproveitar para mexer também na máquina administrativa. A criação de um ministério para concentrar todo o setor social, fundindo as pastas de Assistência e Promoção Social e da Segurança Alimentar e Combate à Fome, está em um cenário. Mas Dirceu preferiu ser cauteloso. ?É um cenário que cabe ao presidente decidir. Tem o cenário da reforma política e da reforma político-administrativa.? O presidente queria o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, no novo ministério social, mas ele teria dito que prefere ficar onde está. O cargo, portanto, deve ficar com um petista. Se Berzoini for o escolhido, a Previdência irá para o PMDB e o senador Maguito Vilela (GO) era apontado ontem como opção forte. O PMDB do Goiás foi o primeiro a apoiar a candidatura de Lula. Na avaliação de Dirceu, a discussão da reforma ministerial, apesar de exaustiva, não paralisa o governo. Como exemplo, citou as reuniões das Câmaras de Políticas de Infra-Estrutura e Social. ?Vamos reunir outras câmaras e estamos definindo as prioridades. O País está andando. Não há questão que possa paralisar o governo.?

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