Demitido, suspeito voltou à pasta com novo ministro

Anderson Brito foi readmitido pelo ministro Manoel Dias (PDT-SC) depois de ser dispensado, na gestão anterior

Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2013 | 23h25

BRASÍLIA - Alvo da Operação Esopo da Polícia Federal, o assessor Anderson Brito foi readmitido pelo ministro Manoel Dias (PDT-SC) depois de ser dispensado, na gestão anterior, por suspeita de beneficiar o Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC).

Titular do ministério até março, o ex-ministro Brizola Neto (PDT-RJ) disse ontem, ao Estado, que havia demitido Brito ao detectar suposta operação para direcionar os recursos de um convênio à entidade.

Segundo Brizola, o favorecimen to ao IMDC começou quando o ministério firmou convênio com a Universidade Federal de Juiz de Fora para qualificar profissionais necessários aos serviços da Copa do Mundo. Cerca de R$ 22 milhões chegaram a ser repassados à instituição.

As regras da parceria previam, contudo, que a universidade deveria terceirizar os serviços a uma entidade ou empresa. O ex-ministro explica: "Nós demitimos, exoneramos, porque justamente pairava sobre ele a suspeita de estar induzindo o reitor da UFJF a fazer um edital completamente equivocado, que, na prática, direcionava um convênio para esse instituto, o IMDC. Cancelamos (o convênio), a universidade devolveu o dinheiro, e demitimos. Para minha surpresa, o Anderson foi readmitido".

Denúncias. O ex-ministro Carlos Lupi pediu demissão em dezembro de 2011, em meio a denúncias de irregularidades no ministério. Interinamente, ficou em seu lugar o número 2, Paulo Pinto. Brizola o sucedeu em maio de 2012, mas, sem poder no PDT, deu lugar a Manoel Dias, apadrinhado de Lupi. Em troca, o partido daria apoio à presidente Dilma Rousseff em 2014.

Dias reassumiu a chefia do MTE em março passado e reabilitou Paulo Pinto, embora a CGU já apontasse o envolvimento dele em irregularidades, como revelou o Estado. Brizola disse ontem ter ficado surpreso com o volume de recursos sob suspeita de desvio.

"Agora está mais claro quais eram as divergências que eu tinha com o Lupi e com a direção do PDT. Uma das questões importantes, quando eu assumi, era colocar o Paulo Pinto como secretário. Não tinha como compactuar com aquelas suspeitas que pairavam sobre ele. Agora, a gente está vendo o resultado", disse o ex-ministro.

O reitor da UFJF, Henrique Duque de Miranda, disse que as regras do edital foram sugeridas pelo MTE e que, após solicitação, a universidade concordou com o cancelamento da parceria. Segundo ele, a terceirização não era de interesse da instituição, que não tinha, naquele momento, condições de executar as atribuições previstas.

O Estado não conseguiu contato ontem com Lupi e Paulo Pinto. Também não conseguiu localizar o advogado de Anderson Brito. Apesar da expectativa, ontem, de que Paulo Pinto pedisse afastamento do cargo, ele permaneceu na função.

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