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Demitido delegado de Ribeirão Preto que indiciou Palocci

Saída de Valencise ocorreu na semana seguinte aos novos episódios envolvendo o ex-ministro da Fazenda

BRÁS HENRIQUE, Agencia Estado

27 de fevereiro de 2008 | 18h38

Benedito Antonio Valencise, que comandou as investigações da chamada "máfia do lixo" em Ribeirão Preto, no interior paulista, e indiciou o deputado federal Antônio Palocci Filho, não é mais o seccional da região. Ele foi surpreendido na tarde de terça-feira, por telefone, ao saber que fora exonerado da função. Rafael Rabinovici, que estava no Departamento de Trânsito (Detran), em São Paulo, foi nomeado para o cargo. A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP) justificou que a saída de Valencise foi uma "mudança administrativa". O delegado não falou com jornalistas. Ele deverá tirar uma licença-prêmio e férias antes de saber o seu novo destino profissional.A exoneração de Valencise, após quatro anos na cidade, ocorreu na semana seguinte aos novos episódios envolvendo o deputado federal e ex-prefeito e ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho. Na semana passada, foi revelado que em junho de 2007 o advogado Rogério Tadeu Buratti registrou em cartório, em São Paulo, uma retratação em que negava as acusações que tinha feito contra Palocci, inocentando-o de todas as irregularidades no inquérito.Foi o delegado quem indiciou Palocci, no final de 2006, como "chefe" da quadrilha do lixo, que teria supostamente desviado mais de R$ 30 milhões dos cofres públicos em contrato de varrição e coleta do lixo com a empresa Leão Leão. Valencise citou o ato da retratação de Buratti como "falcatrua", pois ele era a testemunha central da promotoria na denúncia contra Palocci.   O então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, elogiado até pela oposição por sua rigidez no comando da economia, entregou o posto em 27 de março de 2006. Saiu três semanas após o jornal O Estado de S. Paulo publicar um relato do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, sobre festas e partilha de dinheiro em uma mansão no Lago Sul de Brasília, com participação de Palocci e da chamada "República de Ribeirão", encontro de lobistas em uma mansão em Brasília. Nos dias seguintes, Nildo teve o sigilo bancário violado, operação que derrubou não só Palocci como o comando da Caixa.   Outras acusações   Em 2005, Palocci foi indiciado no inquérito sobre a máfia do lixo em Ribeirão Preto - cidade que o ex-ministro administrou em duas ocasiões. Ele é acusado de licitações fraudulentas, desvio de dinheiro e recebimento de propina. Grande parte das acusações foi feita por Rogério Buratti. O empresário denunciou mensalão de R$ 50 mil que teria sido pago pela empreiteira Leão & Leão ao petista na época em que comandou a Prefeitura de Ribeirão pela segunda vez, entre 2000 e 2002.   O empresário Rogério Buratti, principal testemunha do Ministério Público, já voltou atrás em suas acusações, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, mas o Supremo não tem acompanhado a dinâmica do caso. Buratti também envolveu o ex-ministro nas negociações da chamada "máfia do lixo", e na renovação de contrato da Gtech. As acusações nunca chegaram a ser provadas judicialmente.

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