Demissão de Santarosa revela mudança nas forças políticas da Petrobrás

Apadrinhado de Lula na Petrobrás se dirigia diretamente ao Palácio do Planalto no primeiro mandato do ex-presidente

Irany Tereza, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 19h30

Brasília - O gerente executivo de Comunicação Institucional da Petrobrás, Wilson Santarosa, não foi comunicado de sua demissão pelo presidente da companhia, como seria o procedimento de praxe. Aldemir Bendine delegou a tarefa a um subordinado. "Não tenho tempo para isso", disse Bendine, em seu gabinete, no Rio, antes de seguir para Brasília, onde passou o dia. 

A atitude do presidente da Petrobrás é uma amostra da mudança na correlação de forças políticas na companhia. Santarosa ocupava na estatal um cargo com status de diretoria desde que Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Presidência, em 2003. Com total autonomia em relação à diretoria executiva da empresa, na primeira gestão do governo do PT chegava a se reportar diretamente ao Palácio do Planalto.

Santarosa conhecia Lula da direção da CUT e, como o ex-presidente, sua trajetória profissional foi a de "peão de fábrica". Aposentou-se como funcionário da Refinaria de Paulínia. Lula e o também ex-sindicalista Luiz Gushiken, ministro da Secretaria de Comunicação do primeiro governo do PT, foram os padrinhos de Santarosa na estatal. Ele retornou à Petrobrás com grande poder, responsável pela área que, tendo sob seu guarda-chuva todos os patrocínios e contratos de publicidade da Petrobrás, movimenta bilhões de reais.

Até ser afastado, ele ocupava a coordenação da equipe que acompanha, na estatal, os desdobramentos das CPIs abertas no Congresso para investigar as denúncias de corrupção na empresa. À frente de uma comissão formada por advogados, economistas e técnicos especialistas de cada área da Petrobrás envolvida nas denúncias, a ele cabia levantar informações e elaborar respostas aos questionamentos que surgiam.

Seu afastamento, em meio ao detalhamento das revelações do esquema de desvio de recursos da estatal e à crise política instalada no governo, coloca mais um ponto de interrogação sobre a medição de forças travada no PT, partido da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

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