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Demissão de Mallet é ofensa ao Exército, afirmam republicanos no Brasil Império

Projeto EstadãoRepública130: personagens históricos narram em tuítes os 30 dias que antecederam a Proclamação da República, em 1889

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 17h07

A demissão a bem do serviço público do tenente-coronel João Nepomuceno de Medeiros Mallet da direção da escola Militar de Fortaleza feita pelo governo imperial é apontada pela oposição republicana como mais um agravo feito contra o Exército pelo gabinete liderado pelo Visconde de Ouro Preto. Esse é outro episódio que será tratado pelos perfis do projeto EstadãoRepública130, que usa tuítes de personagens históricos para contar os 30 dias que antecederam a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889 (as publicações também podem ser acompanhadas pela hashtag #ER130).

Os jornais republicanos reagem denunciando a forma como o oficial – filho do marechal Emílio Mallet, atual patrono da Artilharia do Exército – foi dispensado e a razão: ele havia se oposto à promoção de um protegido do governador do Ceará. A Província de São Paulo, o Diário de Notícias, o Cidade do Rio e O Paiz se ocupam do caso e acompanham a sua repercussão.

A demissão de Mallet somou-se à decisão do marechal Deodoro da Fonseca de deixar a província de Mato Grosso, para onde havia sido designado pelo governo. O projeto mostra hoje ainda uma rara entrevista de Deodoro na qual ele conta as razões de ter deixado o posto para o qual fora designado e acusa os “casacas”, como os militares designavam então os políticos da época, e diz não ter pretensões políticas.

E assim se encerra a semana que começara com as esperanças depositadas pelos republicanos – derrotados nas eleições – em Joaquim Nabuco, o deputado liberal que defendia o federalismo, uma das principais bandeiras do movimento antimonárquico. Na época, os presidentes de províncias – os atuais Estados – eram nomeados pelo governador e toda a gestão delas dependia do poder central. Lideranças políticas das províncias queriam mais autonomia para administrar os negócios públicos.

O dia a dia do período até o dia 15 de novembro é acompanhado no projeto por 14 perfis criados no Twitter. São eles: d. Pedro 2º, Princesa Isabel, Joaquim Nabuco, Deodoro da Fonseca, Campos Salles, Quintino Bocayuva, Rangel Pestana, José do Patrocínio, Benjamin Constant, Visconde de Ouro Preto, Rodrigues Alves e o perfil PIPÓCAS, que reproduz sátiras em versos, assim como fazia a seção PIPÓCAS publicada pelo jornal Província de São Paulo – que depois virou Estado.

Os tuítes – reproduções e adaptações de frases que retratam a atuação de cada personagem do período – poderão ser acompanhados pelo perfil @_vivarepublica_ e pela hashtag #ER130. Na terceira semana do projeto, os gastos com o socorro aos flagelados da seca no Nordeste ocupam os tuítes. As colunas dos jornais da época vão mostrar denúncias sobre o mau uso do dinheiro público.

O socorro aportado pelo tesouro à região foi um dos principais gastos feitos pela Cora naquele ano, segundo as contas apresentadas pelo visconde de Ouro Preto mais tarde, em suas memórias. Os personagens também acompanham e comentam a chegada de um grupo de índios Kraus, que são recebidos pelo imperador. Eles foram à corte reclamar de perseguições que sofriam em suas terras.

Os personagens voltam a tratar do caso do Banco Nacional do Brasil, denunciando os termos do contrato assinado pela monarquia com casa bancária. Os republicanos acusam Ouro Preto de conceder vantagens escandalosas ao banco, como o monopólio de emissão de títulos da dívida pública, além do compromisso de não emitir papel moeda por 60 anos.

Mais uma vez se juntam na denúncia Rangel Pestana, pela Província, Rui Barbosa, pelo Diário, e Quintino Bocayuva pelo O Paiz, em um movimento que demostrava que os republicanos, mesmo depois da derrota eleitoral, não dariam trégua à monarquia em sua batalha contra os privilégios.

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