Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Demissão de jornalista atinge secretário de Comunicação

Paulo Fona foi indicado por Fábio Wajngarten mas barrado pelo presidente Jair Bolsonaro por ter trabalhado anteriormente em governos 'de esquerda'

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2019 | 05h06

Brasília - A demissão do jornalista Paulo Fona da Secretaria de Imprensa da Presidência da República atinge o secretário de Comunicação Social (Secom), Fábio Wajngarten. Foi ele o responsável pela indicação, contestada nos bastidores pelo passado do jornalista em governos "de esquerda".

Antes de integrar o governo, Fona foi secretário de comunicação nos governos de Rodrigo Rollemberg (PSB), no Distrito Federal, e de Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul.

Wajngarten apostou na experiência de Fona para o contato direto com jornalistas. No entanto, a indicação foi objeto de ataque nas mídias sociais bolsonarista desde antes de ser oficializada, com direito a mensagens em grupos de WhatsApp dos quais Bolsonaro participa. 

No Palácio, Fona é considerado “pouco alinhado” com o modelo bolsonarista. O Estado apurou que a sua nomeação também desagradou o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, que tem forte influência na área de comunicação do governo e auxilia o pai nas mídias digitais.

Na segunda-feira, em viagem ao Rio Grande do Sul, ao lado dos ministros da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Bolsonaro deixou clara a sua insatisfação com a nomeação e repetiu o discurso que tem feito aos auxiliares. “Vocês têm liberdade de ação e escolha dos seus auxiliares. Mas, se não tiver no meu perfil, eu exonero”, afirmou, segundo o relato de interlocutores. Na ocasião, ainda completou. “Ele (Fona) não é do meu perfil”.

Demissão.

O jornalista foi comunicado da demissão por um auxiliar direto de Wajngarten. nesta quarta-feira, 14, Fona disse ao Estado que “não houve qualquer motivo aparente” ou “qualquer tipo de conflito” para justificar a exoneração”. Contestou ainda que “argumentar que o perfil não estava alinhado é esquecer que o convite partiu deles”. “Os alertei sobre os governos que trabalhei.” 

Antes da saída de Fona, um outro movimento ocorreu no Planalto, na área de comunicação. O porta-voz do presidente, general Rêgo Barros, que passou os primeiros meses em conflito com Wajngarten, teve a sua estrutura transferida de setor e agora está subordinado à Secretaria Executiva da Secretaria de Governo, conforme antecipou o a Coluna do Estadão. A sua intenção, no entanto, era responder diretamente ao presidente.

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