Demissão de afilhados de ACM é adiada

As demissões anunciadas dos afilhados do ex-presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) poderão demorar mais tempo para serem autorizadas pelo Planalto. O governo adiou a decisão, que se esperava para logo depois do carnaval, porque está fazendo uma análise mais detida das indicações políticas. Com isto, quer evitar cometer injustiças. Neste levantamento, auxiliares do presidente Fernando Henrique Cardoso querem identificar quem de fato foi indicado pelo senador baiano e quem tem como padrinho outros líderes políticos, ainda que do PFL. As lideranças pefelistas também serão consultados pelo Planalto para que as responsabilidades das demissões sejam divididas.O agravamento do estado de saúde do governador licenciado de São Paulo, Mário Covas, também contribuiu para que o palácio atrasasse os afastamentos. O presidente evitou tratar de assuntos ligados a demissões e nomeações para cargos públicos durante os feriados. "Além da preocupação com o govenador Covas, o presidente está concentrado na avaliação do plano de ações para os dois últimos anos de governo", comentou um auxiliar de Fernando Henrique.Outro interlocutor do presidente ao falar da cautela do governo explicou que o assunto está sendo analisado caso a caso. "O atual presidente do INSS, Crésio Rolim, por exemplo, que todos dizem ser da quota de ACM, já estava no Ministério da Previdência desde o tempo do ex-ministro Reinhold Stephanes, portanto, anteriormente à indicação do baiano Waldeck Ornélas, demitido na semana passada junto com o outro baiano, Rodolpho Tourinho, que estava nas Minas e Energia", comentou o auxiliar.Dentro desse raciocínio, esse interlocutor considera que é possível, no entanto, que o chefe do departamento jurídico do BNDES, Luiz Roberto Paranhos Magalhães, sobrinho de Antonio Carlos e filho do ex-deputado Ângelo Magalhães, perca o cargo. Mas o governo, quer ser cauteloso, para não levantar ainda mais a ira de ACM.O presidente foi informado de que o senador baiano está desembarcando nesta quarta-feira em São Paulo para visitar Covas. Depois, seguirá para Brasília, onde pretende permanecer até quinta-feira da semana vem, quando embarcará para Salvador e depois, Jequié, no interior da Bahia, onde uma grande recepção está programada para recebê-lo.

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